| Malavolta Jr. |
| Rosicler Nakai e o marido Aparecido da Silva mostram o Koseki Tohon, documento que os habilitou a morar no Japão |
A crise econômica brasileira e as medidas anunciadas pelo governo japonês para estimular a economia e o mercado de trabalho no arquipélago asiático têm encorajado um grande número de bauruenses a deixar o território nacional em busca de oportunidades na Terra do Sol Nascente.
Segundo uma agência de viagens e empregos direcionados ao Japão e que é conhecida como uma espécie de termômetro do setor em Bauru, o interesse por migrar para o Oriente teve significativo aumento nos últimos anos, principalmente, em razão desta conjuntura.
“Muitas pessoas ficaram desempregadas, encerraram seus negócios e voltaram a ver no Japão uma possibilidade de retomar a vida em um país com condições melhores”, comenta Edson Takao Koaro, consultor da empresa.
A busca por trabalho no Japão começou a ser intensificada em meados de 2014, à medida que o primeiro-ministro Shinzo Abe lançava planos para reaquecer a economia do país. Por consequência, a maior oferta de empregos voltou a ampliar a demanda por trabalhadores estrangeiros, ante a irreversível queda da população economicamente ativa de uma nação que enfrenta baixos índices de natalidade.
“Ultimamente, houve uma redução nas contratações, mas a procura ainda é grande, seja em fábricas de autopeças, alimentos ou eletroeletrônicos”, comenta Koaro, sem revelar os valores médios dos salários oferecidos pela indústria asiática. “Depende. Tem quem ganhe muito bem, tem quem não ganhe muito bem”, resume.
PERFIL
As jornadas de trabalho, segundo o consultor, são de cerca de 10 horas, já considerando a realização de duas horas extras diárias. Em sua maioria, os interessados em emigrar para o Japão são homens e mulheres jovens, entre 18 e 30 anos, solteiros ou recém-casados e sem filhos. Já a parcela mais adulta, na faixa de 35 a 45 anos, normalmente está indo morar no país pela segunda vez.
É o caso da faxineira Rosicler Nakai da Silva, 43 anos, que deve embarcar para o Japão ainda neste mês na companhia do marido, o motorista Aparecido Antonio da Silva, 44 anos. Eles irão trabalhar em uma padaria industrial, onde cada um receberá o equivalente a R$ 9,2 mil por mês.
Rosicler conta que decisão foi motivada pelas baixas perspectivas de melhoria de condições no Brasil. Em maio do ano passado, Aparecido ficou desempregado e se viu forçado a procurar uma outra fonte de renda. “Ele começou a atuar como taxista, mas as coisas não estão fáceis. Tem dia que ele ganha R$ 20,00 por dia. É algo muito incerto”, comenta.
Já a faxineira, que não tem registro em carteira, fatura R$ 400,00 mensais. A intenção, Rosicler diz, é permanecer no Japão por cerca de seis anos e fazer um “pé de meia” para que o casal possa abrir um negócio no Brasil, além de dar entrada na casa própria.
Nova emigração
Rosicler Nakai morou no Japão durante dez anos e só voltou para Bauru em 2008 devido à crise financeira mundial, que provocou o fechamento de indústrias e postos de trabalho em várias partes do globo, incluindo o arquipélago asiático. À época, a estagnação econômica do país influenciou o retorno de muitos decasséguis ao Brasil, assim como o terremoto e o tsunami de 2011, que desencadearam um desastre nuclear de grandes proporções e o consequente temor de contaminação pela radiação oriunda da usina atômica de Fukushima.
De acordo com os dados do Itamaraty, em 2013, havia cerca de 180 mil brasileiros vivendo no Japão. O número equivale a quase metade do registrado em 2008, quando a comunidade brasileira no país asiático totalizava 312 mil pessoas. A tendência, agora, é que este número volte a crescer.