10 de julho de 2026
Geral

Alterações climáticas podem provocar escassez de alimentos em futuro breve

Cinthia Milanez
| Tempo de leitura: 2 min

Cinthia Milanez
Simpósio "Ciência, tecnologia e sociedade" foi realizado nesta quarta-feira na Unesp de Bauru

Aumento das temperaturas, derretimento das calotas polares e queda da produção agrícola em determinados países. Essas são algumas das consequências das alterações climáticas dos últimos anos. O tema foi discutido durante a Semana Nacional de Ciência e Tecnologia (SNCT), que começou na segunda e termina amanhã na região de Bauru (leia mais abaixo).

Diretor do Centro de Excelência para a Redução do Risco de Desastres da ONU no Brasil, David Stevens, participou da mesa redonda "As alterações climáticas e suas interferências no meio rural", ontem, durante o encerramento do Simpósio "Ciência, tecnologia e sociedade: mobilizar o conhecimento para alimentar o Brasil", que compôs a programação da SNCT.

Ele tratou da prevenção de catástrofes provocadas por alterações climáticas, como enchentes e inundações.

Segundo o representante da ONU, o governo brasileiro não está preparado para lidar com a situação. "O Brasil consegue reagir à catástrofe depois que ela acontece, porém, tem dificuldades de prevê-la e, consequentemente, preveni-la", pontua.

Stevens diz, ainda, que o Marco de Sendai - firmado entre diversos países, inclusive, o Brasil para a redução do risco de desastres no período de 2015 a 2030 - ainda não foi colocado em prática. "Se os governos não elaborarem planos de ação nacionais, estaduais e municipais nos próximos 30 anos, haverá escassez de alimentos, porque a agricultura também é afetada pelas alterações climáticas e pelas catástrofes ambientais", finaliza.

O professor da área de irrigação e diretor da Faculdade de Ciências Agronômicas (FCA) da Unesp de Botucatu, João Carlos Cury Saad, também participou da mesa redonda.

Segundo ele, as temperaturas influenciam, diretamente, o florescimento das plantas, porém, cada uma delas têm uma faixa ótima de produção. "Às vezes, uma temperatura muito acima do normal para determinado período prejudica as plantas. Estas, por sua vez, se protegem de situações extremas com mecanismos que, normalmente, prolongam o ciclo e reduzem a produtividade", acrescenta.

Portanto, mudanças abruptas de temperaturas não são favoráveis à produção agrícola, na avaliação de Saad. "Há plantas que se adaptam ao calor e outras, ao frio. Contudo, qualquer uma fica prejudicada quando há mudanças bruscas", defende.

TECNOLOGIA

Para evitar isso, segundo o professor, os produtores têm de apelar à tecnologia. "Acompanhar a previsão climática e adotar técnicas que minimizam esse impacto, como a irrigação, que é fundamental, porque permite fornecer água no momento adequado para as plantas, principalmente, quando não há chuva", argumenta.

Já o professor do curso de geografia da Unesp de Ourinhos, Rodrigo Lilla Manzione, que também participou do simpósio, defende que o aumento abrupto das temperaturas, como ocorreu nos últimos dias, influencia na produção, mas tudo depende do estágio em que cada cultura se encontra.

"Se as plantas estiverem na fase de germinação e as temperaturas ficarem elevadas por três semanas, nada nasce. Caso as plantas estiverem maiores, já aguentam um pouco mais uma intempérie climática", frisa.