10 de julho de 2026
Polícia

Homem que queimou e enterrou a mulher pega 17 anos de prisão em Bauru

Tisa Moraes
| Tempo de leitura: 3 min

Samantha Ciuffa
José Araújo alegou que deu uma “gravata” na companheira Elaine Rodrigues (no detalhe) porque teria sido traído, mas não tinha intenção de matá-la

Acusado de estrangular, queimar e enterrar o corpo de sua companheira embaixo da cama, José Antônio Araújo, 37 anos, foi condenado a 17 anos de prisão pelos crimes cometidos. Em audiência o Tribunal do Júri realizada nessa quinta-feira (20) no Fórum de Bauru, ele foi sentenciado por homicídio duplamente qualificado (por motivo torpe e uso de meio cruel) e por ocultação de cadáver.

Conhecido como Totó, Araújo cumprirá a pena na Penitenciária de Serra Azul (SP), onde já estava preso desde que o corpo da vítima, Elaine Regina de Souza Rodrigues, 39 anos, foi encontrado, em 25 de abril de 2013. Todos os indícios, contudo, apontaram que o crime ocorreu em 17 de abril daquele ano, quando a mulher foi vista pela última vez.

O casal vivia junto há cerca de três meses em um barraco de madeira e papelão localizado no Jardim Europa. Na época, o réu confessou ter matado Elaine porque havia sido traído por ela, algo que nunca ficou comprovado.

A descoberta do corpo só foi possível porque a Polícia Militar recebeu denúncia anônima de pessoas que haviam notado o sumiço da vítima. Como havia sinais de terra revolvida embaixo da cama do casal, o Corpo de Bombeiros foi acionado e localizou ossos humanos, que exames posteriores comprovaram ser de Elaine.

Restos mortais enrolados em uma coberta também foram encontrados em um matagal a cerca de 100 metros de distância do casebre. À polícia, Araújo confessou que, embriagado, acabou dando uma “gravata” na companheira, sem a intenção de matá-la. Depois de vê-la desacordada, contou que cavou um buraco dentro do próprio casebre e deixou parte do corpo queimando ao longo de uma noite inteira.

ESTRATÉGIA

Durante o julgamento, ontem, a defesa do réu tentou afastar as duas qualificadoras, sustentando que Araújo agiu sob violenta emoção ao descobrir que havia sido traído e que foi provocado pela mulher durante a discussão que antecedeu o homicídio. “Além disso, o processo está cheio de dúvidas. Não existem provas nos autos de que a Elaine morreu queimada ou por asfixia (meio cruel). Não há laudo que comprove a causa da morte”, lembrou o advogado Fábio Vergínio Burian Celarino.

A realização dos exames foi impossibilitada em razão do estado precário em que o corpo foi encontrado. Mesmo assim, o Ministério Público sustentou, durante todo o processo, que a vítima morreu queimada. Sobre a tentativa da defesa em desqualificar o homicídio por motivo torpe, o promotor de Justiça Djalma Marinho Cunha Filho lembrou que, assim como no primeiro depoimento logo após o réu ser preso, dois meses depois, quando foi novamente ouvido, não houve qualquer menção relacionada à “injusta provocação da vítima”, que pudesse ter contribuído para resultar em sua morte.

“E não estamos mais naquele tempo em que crimes podiam ser cometidos em defesa da honra, em que um homicídio motivado por traição pudesse ser justificado”, argumenta.

Araújo foi condenado a 18 anos por homicídio duplamente qualificado e a mais um ano pela ocultação de cadáver. Como já havia sido condenado por outro assassinato (do pai de um desafeto, a facadas), não era mais réu primário, mas teve a pena reduzida em dois anos por ter confessado o homicídio da companheira.