09 de julho de 2026
Geral

Entrevista da Semana : Vanderlei Ferreira de Lima - 'vencer é possível'

Ana Paula Pessoto
| Tempo de leitura: 6 min

Divulgação
Em Bauru desde os 19 anos, o procurador e professor recebeu, há poucos dias, o título de Cidadão Bauruense 
Na foto, Vanderlei com a esposa Ana Cláudia Pires Ferreira de Lima e os filhos Ana Carolina e Daniel 

Ele é procurador do Estado de São Paulo e professor do curso de Direito da Instituição Toledo de Ensino (ITE). Mas a vida já foi dura com Vanderlei Ferreira de Lima, que nasceu em uma família humilde da zona rural do Paraná, formada por dez filhos. Ainda bem jovem, trabalhou na lavoura e foi marceneiro. Para pagar a faculdade, vendia sorvetes com um irmão em Bauru, cidade a quem ele agradece de coração por tudo que ela lhe proporcionou. 

"Meus pais eram pessoas sem estudos, mas muito sábias. Eles faziam questão de que seus dez filhos estudassem. Eles tinham orgulho disso, nos obrigavam a estudar e todos se formaram na faculdade. Todas as transformações da minha vida têm a educação como responsável. Eu acredito muito na educação. Ela transforma, sim, as pessoas", faz questão de grifar. 

Entre as curiosidades da vida pessoal, o promotor e professor ainda falou sobre a prática esportiva e a valorização da família. Entusiasta da educação, ele ainda encontra tempo para trabalhos voluntários realizados no Lions Bauru Bela Vista e na Igreja São Cristóvão. Confira os principais trechos da entrevista, a seguir.

Jornal da Cidade - Você nasceu na zona rural do Paraná. Guarda memórias marcantes da vida no campo?

Vanderlei Ferreira de Lima - Venho de uma família muito simples que trabalhava no campo. Eu, assim como meus irmãos, trabalhei desde cedo com meus pais na lida do gado e na lavoura. Eu ajudava o meu pai pela manhã e ia para a escola à tarde. No Paraná, nos anos de 1974/75, houve geadas fortes que queimaram todos os cafezais. Muitos sitiantes perderam tudo, inclusive meu pai. A nossa saída do campo me marcou muito. Começamos do zero na periferia de Arapongas.

JC - Como a família superou tudo isso?

Vanderlei - Meus pais eram pessoas sem estudos, mas muito sábias. Eles faziam questão de que seus dez filhos estudassem. Eles tinham orgulho disso, nos obrigavam a estudar e todos se formaram na faculdade. Mas, morando na cidade, a gente também trabalhou. Eu, por exemplo, trabalhei em uma marcenaria, onde aprendi a manusear ferramentas e a transformar madeira em móveis.       

JC - Quando você saiu de Arapongas? 

Vanderlei - Eu saí em 1986/87 para o serviço militar obrigatório. Fui mandado para Brasília, onde fiquei um ano aquartelado. Era um treinamento duro, mas necessário. Acho que prepara o jovem para defender o seu país. Acredito que devemos estar preparados para isso, com nossa vida, se necessário for.    

JC - Quando os seus caminhos o trouxeram para Bauru?

Vanderlei - Eu fiquei um ano em Brasília, voltei para o Paraná e vim para Bauru depois de uns três ou quatro meses. Eu tinha 19 anos e vim com meu irmão Milton. Uma de minhas irmãs morava aqui, mas se mudou logo que chegamos. Bom, aqui chegando, nós montamos uma pequena sorveteria para sobreviver. Eu comecei a fazer Direito, depois meu irmão também entrou na mesma faculdade. Pagávamos com o dinheiro do sorvete. Formei-me em 1993 na Instituição Toledo de Ensino (ITE). Meu irmão se formou dois anos depois.     

JC - Foi uma longa jornada até a Procuradoria?

Vanderlei - Eu decidi me dedicar à carreira jurídica dentro da faculdade. Em janeiro de 1995, eu tomei posse como delegado da Polícia Civil, em São Paulo. Passei em cinco concursos públicos, na verdade. Sou procurador do Estado há 20 anos. Um procurador do Estado tem como atribuição defender o patrimônio público, no meu caso o Estado de São Paulo.    

JC - Como foi ser delegado de polícia em São Paulo?

Vanderlei - Trabalhei na periferia de São Paulo e, embora tenha me empenhado muito, passei pela triste experiência de ver nossos jovens serem mortos pela violência provocada pelo crack. Lembro-me de uma ocorrência onde uma senhora, já de idade e com saúde debilitada, teve seu filho fuzilado por traficantes na porta de sua casa. Diante do corpo de seu filho, ela me abraçou chorando e pediu ajuda. Trabalhei dias e noites, mas não consegui prender os traficantes. Carrego essa frustração e tristeza em meu coração. Uma mãe jamais deveria enterrar o filho morto pela violência.

JC - Além da carreira jurídica, você é professor. 

Vanderlei - Sim, na ITE. Quando voltei para Bauru, em 2000, como procurador, eu fui convidado a dar aulas em uma universidade. E me encantei com a sala de aula. Tive a oportunidade de voltar para a ITE, onde estudei, o que é uma realização pessoal muito grande para mim. O professor exerce um papel muito importante na vida das pessoas. Sou um entusiasta do ensino. Todas as transformações da minha vida têm a educação como responsável. Eu acredito muito na educação. Ela transforma, sim, as pessoas. 

JC - Recentemente, você recebeu o título de Cidadão Bauruense, correto? 

Vanderlei - Eu cresci em Bauru, pessoalmente e profissionalmente. E me considero um cidadão bauruense há muito tempo. Esse título veio coroar todos esses anos. Aqui, eu casei, tive filhos e me tornei profissional. 

JC - Você cita os esportes como hobbies. Alguma mo-dalidade em especial?

Vanderlei - Eu gosto muito de corrida, por ser um esporte muito simples de ser praticado. Também gosto de pedalar. Recentemente, eu corri a Meia Maratona Internacional do Rio de Janeiro: 21 quilômetros. Fiz questão de mostrar a medalha para os meus alunos como forma de incentivo. Correr 21 quilômetros não é tarefa fácil, mas eu estabeleci isso como meta. Hoje, nosso jovem é muito sedentário e isso precisa mudar. Além disso, eu chamei a atenção para a vida deles. Se você tem um sonho, você precisa fixá-lo como meta e lutar por ela. 

JC - Uma curiosidade sobre a sua vida.

Vanderlei - Eu gosto muito de música e, há dois anos, passei a desfilar com a Escola Acadêmicos do Cartola. Adorei essa manifestação cultural. O Carnaval é muito criticado por alguns setores da sociedade, mas ele tem muitos aspectos positivos. A população mostra a sua criatividade, se diverte... nós temos que aprender a absorver o lado bom das coisas. E o Carnaval tem mais aspectos positivos do que negativos.    

JC - Família.

Vanderlei - Merece "Nota 10", com certeza. Aprendi com meus pais que a família é algo muito importante na vida do ser humano. E eu tive a felicidade de me casar muito bem. Minha esposa é uma mulher maravilhosa, e eu atribuo esse meu crescimento pessoal e profissional à ela também. Nós nos conhecemos ainda no primeiro ano da faculdade. Começamos a namorar em poucos dias e lá se vão 26 anos juntos. Hoje, ela é uma brilhante juíza e temos dois filhos maravilhosos.

Perfil 

Vanderlei Ferreira de Lima

Tem 49 anos e nasceu em Arapongas/PR

É casado com Ana Cláudia Pires Ferreira de Lima

O casal tem dois filhos: Ana Carolina e Daniel

Tem na prática esportiva o seu principal lazer, principalmente na corrida e bicicleta

Quando o assunto é música, ele diz que o importante é a música da boa, independente do gênero

A Bíblia é o seu livro de cabeceira pelo aspecto religioso e pelas lições que podem ser tiradas dela

Um filme? Cinema Paradiso

Noroeste e Corinthians são os seus times de coração

Nota 10: Para o maior patrimônio de um homem: a família

Nota 0: Para a desonestidade, que é a causadora da miséria no Brasil

E-mail: vflimapge@terra.com.br