10 de julho de 2026
Economia & Negócios

Educação a Distância está em alta

Rose Araujo
| Tempo de leitura: 5 min

Se você não pode ir à faculdade, a faculdade vai até você. Assim é a Educação a Distância (EAD), que está em vertiginoso crescimento no Brasil. De acordo com o Censo EAD.BR, divulgado em setembro pela Associação Brasileira de Educação a Distância (Abed), foram registrados 5 milhões de alunos em 2015, o que representa 1,1 milhão a mais de estudantes que em 2014. O número de tutores e professores dedicados ao setor também aumentou, passando de 28,7 mil profissionais, em 2014, para 48,1 mil educadores, em 2015.

Em Bauru, são diversas as possibilidades de estudar a distância. Tanto optando pelas instituições tradicionais da cidade (que oferecem cursos virtuais), quanto por outras de fora. Com mensalidades mais baratas e possibilidade de estudar sem sair de casa, a EAD tem se destacado na preferência de muitos estudantes.

A Universidade do Sagrado Coração (USC) começou a planejar a implementação da EAD em 2012 e foi credenciada em 2015 a atuar desta maneira. "Nosso objetivo foi firmar nosso comprometimento para atuar em áreas diversificadas, investindo permanentemente nos projetos acadêmicos, científicos, tecnológicos e culturais também na modalidade de Ensino a Distância, para abrir suas possibilidades de oferta também para os que residem mais distantes da região de Bauru", destaca Irmã Ilda Basso, Vice-Reitora e Pró-Reitora Acadêmica da USC.

Ela salienta que essa modalidade caracteriza-se como uma tecnologia educacional flexível, dinâmica, aberta, sem fronteiras e adaptável às necessidades do aprendiz. "A EAD pode oferecer uma experiência educacional que ajuda a motivar os alunos que parecem mais quietos e menos propensos a participar de um debate", frisa.

A Universidade Paulista (Unip) resolveu investir na EAD por vislumbrar nessa modalidade o futuro da educação no País. "A cada dia temos uma procura ainda maior na modalidade EAD. São alunos que têm diferentes características de estudo, como donas de casa, empresários, profissionais liberais", destaca Hilel Mazzoni, assistente de coordenação da instituição.

Lá são oferecidos 29 cursos de graduação e 22 de pós-graduação. "Temos cursos de 1 ano (pós-graduação), cursos de 2 anos (tecnólogos) até 4 anos (bacharelados e licenciaturas)", afirma Hilel.

Já a USC conta com 4 cursos de graduação, mas já projeta novidades para o próximo ano. "Para 2017 teremos um amplo portfólio de cursos ofertados, também, pela Pós-Graduação: : Docência no Ensino Superior, Educação Ambiental, Educação Inclusiva, Ensino Religioso, Língua Portuguesa - Redação e Oratória, Orientação Educacional, Supervisão Escolar, MBA em Secretariado Executivo, MBA Executivo em Gestão Estratégica Empresarial, MBA Executivo em Gestão de Marketing e Comunicação Integrada, MBA Executivo em Gestão de Pessoas e Liderança, MBA Executivo em Gestão Financeira, MBA Executivo em Gestão Logística e Mercado, MBA Executivo em Gestão Pública."

Opção para quem tem pouco tempo e quer se aperfeiçoar

A Educação a Distância consiste em cursos dados em modo virtual, ou seja, muitas vezes o aluno pode assistir às aulas direto da sua casa, sem a necessidade de se deslocar até uma instituição. Ele também tem a possibilidade de encaixar o curso nos seus horários disponíveis, mantendo a sua rotina normalmente.

Essa facilidade atraiu a assistente administrativa Talita Bollini a cursar uma pós-graduação em Gestão Ambiental e Desenvolvimento Sustentável, uma área diferente da que atuava. "Quando decidi fazer a especialização, meu objetivo era adquirir conhecimento sobre a área de meio ambiente, que sempre foi o meu interesse, ainda que soubesse que não seria possível aplicar isso no meu trabalho naquele momento", destaca.

Ela considera a experiência positiva e diz que a EAD é uma boa opção para quem tem pouco tempo e quer estudar. No entanto, ressalta que em alguns momentos sentiu falta de ter um professor à sua frente para sanar dúvidas e entender melhor o conteúdo. "O fato de não haver um professor presencialmente na sala faz diferença. É mais difícil ficar concentrada na aula, por exemplo. Além disso, é mais complicado tirar as dúvidas. Ainda que se tenha formas de fazer isso, não é tão imediato como na aula presencial", diz.

Outro ponto destacado por Talita é com relação à quantidade de informações recebidas nas aulas. "Era bastante conteúdo em pouco tempo. Assim, para compreender bem o assunto, era preciso estudar em casa com o material teórico. Para mim, só assistir às aulas não era garantia de aprender o assunto. Então, precisei dedicar uma parte do meu tempo para estudar a matéria em casa, o que é mais complicado, já que exige disciplina", salienta.

Para algumas pessoas, uma dúvida que paira no ar é com relação à validade e ao conceito que um diploma de EAD tem no mercado. Tanto Hilel quanto Irmã Ilda são categóricos em dizer que o peso é o mesmo de uma formação tradicional. "O que determina a qualidade dos cursos não é a modalidade, mas a instituição que faz a oferta. EAD de qualidade também forma excelentes profissionais. Os documentos oficiais dos cursos não indicam a modalidade de ensino. O diploma recebido na modalidade EAD é o mesmo recebido na modalidade presencial", diz a Vice-Reitora e Pró-Reitora Acadêmica da USC.

De acordo com Hilel, o mercado tem demonstrado uma boa receptividade com os profissionais provenientes de EAD. "Muitas empresas hoje já veem os alunos formados em Educação a Distância com uma ótica de vantagem, pois um aluno EAD tem um perfil mais regrado e organizado", destaca.

Quem busca EAD no Brasil?

Segundo o Censo EAD.BR, divulgado em setembro pela Associação Brasileira de Educação a Distância (Abed), as mulheres

aparecem em maioria na educação a distância, representando 56% dos alunos dessa

modalidade em 2015, diferentemente do

cenário presencial, composto por 53% de

homens. O perfil também é diferente em relação à faixa etária. Enquanto os cursos presenciais têm 63% dos estudantes apenas entre 21 e 30 anos, a educação a distância se mostra mais abrangente, concentrando 49% dos alunos entre 31 e 40 anos e 42% entre 21 e 30 anos. A

conciliação de estudo e trabalho é frequente entre os estudantes do ensino a distância,

sendo presente na realidade de 70% dos alunos de instituições privadas com fins lucrativos

consultadas pelo censo.