Brasília - O presidente Michel Temer se reuniu na manhã de ontem com o ministro Alexandre de Moraes (Justiça) para discutir a deflagração na sexta-feira da Operação Métis, que prendeu quatro policiais legislativos dentro do Senado.
No encontro, realizado em São Paulo, o ministro apresentou ao presidente um relatório sobre o que motivou a iniciativa e a legalidade da medida, realizada com autorização judicial. Com o relatório, o presidente pretende telefonar neste sábado para o presidente do Senado Federal, Renan Calheiros (PMDB-AL), que ficou irritado com a operação policial e a considerou abusiva. Detalhe: na própria sexta-feira o presidente e o Ministro da Justiça haviam se encontrado em , cerimônia na Força Aérea Brasileira (FAB), ao participarem da entrega da Ordem do Mérito Aeronáutico, em comemoração ao Dia do Aviador e da FAB, comemorados de forma adiantada, já que o dia é hoje. Naquele momento o encontro entre Temer e Moraes foi 100% amistoso.
Na sexta-feira, horas depois do ocorrido o ministro Geddel Vieira Lima (Secretaria de Governo) foi um dos primeiros a entrar em contato com Renan para discutir as motivações da operação.
Como uma reação ao Poder Judiciário, o grupo do presidente do Senado pretende abrir espaço para aprovar o projeto que estabelece punições para autoridades que cometerem abusos. O texto, no Congresso Nacional desde 2009, é alvo de críticas de integrantes da força-tarefa da Operação Lava Jato, que afirmam que a medida serve para cercear as investigações de operações que atingem políticos.
O grupo do peemedebista também cogita aprovar lei que retira o direito de um juiz receber aposentadoria integral caso seja afastado do cargo por ter cometido ilegalidades.
A cúpula do Senado avalia questionar ainda a legalidade dos procedimentos adotados pela Polícia Federal.
Renan pediu para que seja analisado juridicamente se os mandados de prisão e de busca e apreensão realizados teriam de ser autorizados pelo STF (Supremo Tribunal Federal).
O uso de grampos escondidos pela Polícia Federal nas residências particulares de senadores foi visto com reserva também por integrantes do governo federal. Eles dizem temer um "estado policialesco" no país.