| Douglas Reis |
| Gazzetta (PSD) e Raul (PV) debateram por mais de 2 horas na TV Preve |
No penúltimo debate do segundo turno da disputa para prefeito em Bauru, realizado na noite deste sábado (22), na TV Preve, o eleitor teve mais clareza sobre diferenças de ações e modelos de gestão propostas de Clodoaldo Gazzetta (PSD) e Raul Gonçalves Paula (PV). Ambos assumiram diversos compromissos com o eleitorado. A mediação foi do jornalista Samuel Ferro, e os jornalistas Nádia Naura, da TV Preve, e João Jabbour, diretor de redação do Jornal da Cidade, formularam perguntas em dois blocos do programa. Haverá mais um debate, sexta-feira, na TV TEM.
Os dois candidatos citaram a necessidade de atração de empresas para gerar empregos e tributos. "Minha primeira ação se for eleito prefeito será conversar com empresários que querem sair de Bauru, para saber o que podemos fazer para evitar isso. Hoje, a geração de emprego é uma das prioridades da população, ao lado da saúde. Queremos implantar ações que destravem a cidade", afirmou Gazzetta.
Já Raul criticou a burocracia para abrir e manter empresas. "Os três distritos industriais existentes e o quarto que está sendo criado foram abandonados pela prefeitura. O empresário não tem incentivo algum, e isso esbarra também em leis antigas, como a atual Lei de Zoneamento, que data de 1982. Isso precisa ser revisto. Outra ideia é criar minidistritos", pontuou.
Na gestão da máquina pública, Gazzetta é favorável à criação de subprefeituras. "Vamos descentralizar o atendimento à população", disse. Raul rebateu. "O que precisamos é ter serviços como saúde e educação, e não mais locais para inchar a máquina administrativa", criticou. "Isso não vai gerar mais custo. Nós vamos fazer um governo participativo, ao contrário de você (Raul), que quer administrar de forma ditatorial", bradou Gazzetta. "Não sou ditador, porque também vou ouvir as pessoas. Mas precisamos tomar as decisões com clareza e firmeza", completou Raul.
Funcionalismo
Ao ser questionado sobre reajustes aos servidores e os PCCS (que vão impactar a folha salarial já em 2017), Raul disse que é preciso corrigir distorções. "Os PCCS podem criar distorções. Muitos servidores não tiveram acesso às informações, e outros tiveram e fizeram cursos, vão ter o direito ao aumento. Vai criar discrepâncias dentro da prefeitura. Quanto aos reajustes, precisamos cortar cargos comissionados para ter dinheiro para pagar melhores salários", apontou.
Gazzetta diz que vai abrir uma negociação permanente com o funcionalismo. "Vamos ter uma mesa de negociação permanente, onde os servidores terão acesso direto ao prefeito e aos secretários, e mostrando com clareza a situação financeira para discutir os reajustes", reiterou. A prefeitura paga ainda, mensalmente, R$ 1,6 milhão ao plano de saúde dos servidores, sendo que R$ 1,1 milhão estão saindo do caixa do município, e o restante do desconto em folha dos funcionários. "Há muitas reclamações do serviço ofertado pela operadora atual. Vamos discutir como reduzir o valor pago hoje em dia, e pedir oferta melhor do serviço. Se não for possível, seremos obrigados a trocar de operadora", completou.
Autarquias e empresas
Raul defende que a Cohab volte a construir casas, em parceria com os governos federal e estadual, e é favorável a uma análise detalhada das dívidas da companhia e da prefeitura. Gazzetta acredita que, se os governos do Estado e União abrirem novamente a possibilidade de parceria na habitação, Bauru deve usar a Cohab para este fim, porém, ele entende que, neste momento, é mais viável a construção de moradias diretamente pelo Minha Casa, Minha Vida ou CDHU.
Sobre o Departamento de Água e Esgoto (DAE), os dois afirmaram ser contra qualquer tipo de privatização ou repasse à Sabesp. Gazzetta pretende usar os R$ 130 milhões do Fundo de Tratamento de Esgoto (FTE) para sanar os problemas da abastecimento de água, com aprovação da Câmara e do Ministério Público, ao longo dos anos, após a conclusão da Estação de Tratamento de Esgoto (ETE), que já conta com repasses federais também. Raul é contra o uso da verba para este fim, e lembra que, mesmo após concluída, a ETE terá despesas para manutenção e existem outras benfeitorias que serão necessárias e não constam no projeto inicial.
A necessidade de uma estação de energia na ETE gerou divergência. Raul falou em R$ 50 milhões, mas Gazzetta apontou que R$ 10 milhões seriam suficientes. Em vários momentos, Raul frisou que é administrador e médico, e que conta com o apoio do governo estadual. Gazzetta procurou enaltecer que Bauru deverá ter o apoio de todas esferas de governo, independente da filiação partidária, e que o seu arco de alianças, com dez partidos, não implicará em apadrinhamentos na gestão das secretarias.
Em relação à Emdurb, Raul foi crítico ao modelo atual, com excesso de cargos comissionados. Gazzetta também apontou a necessidade de redução do quadro de servidores sem concurso da empresa, para valorização dos demais funcionários. Gazzetta e Raul também se comprometerem em rever as linhas e horários de ônibus circulares da cidade.
Temas nacionais
Perguntado sobre a PEC 241, que congela investimentos em saúde e educação, Raul mostrou-se contra a proposta, apesar dos partidos de sua chapa serem favoráveis à medida do governo Michel Temer (PMDB). Gazzetta foi questionado sobre o impeachment da presidente Dilma Rousseff (PT) e declarou que o processo não configurou golpe, pois seguiu os preceitos constitucionais e teve anuência do STF.