10 de julho de 2026
Tribuna do Leitor

MARAJÁS: O LEGISLATIVO FEDERAL EXAGERA

Faukecefres Savi - é advogado e jornalista-colaborador.
| Tempo de leitura: 3 min

No Estadão de segunda 17, o economista José Fucs assina profundo estudo sobre os males de nosso sistema previdenciário, enfatizando a necessidade de reforma. Quem não lê o periódico, se tiver interesse poderá ter acesso ao texto se entrar em meu blog na internet (www.fsavi.com), e buscar a matéria no dia 17 do corrente.

Nesse texto, Fucs publica uma tabela elencando os números daquilo que chama "Marajás da Terceira Idade", listando os números e apurando benefícios médios em cada um dos poderes, em dados de 2015. O Executivo consumiu R$ 91,5 bilhões para 939.318 aposentados e dependentes, gerando média de R$ 7,5 reais mensais. O Judiciário gastou R$ 8,6 bilhões para 28.381 beneficiários, e renda benefício médio mensal de R$ 23,2 mil. O MP Federal gastou só R$ 0,6 bilhão para 2.560 aposentados e renda média mensal de R$ 17,8 mil.

O cancro está no Poder Legislativo: R$ 3,6 bilhões para apenas 10.116 beneficiários e beneficio médio mensal de R$ 27,2 mil. Se botarmos tudo num balaio só, gastaram-se R$ 104 bilhões para pagar 980 mil aposentados públicos, com benefício médio de R$ 8,2 mil.

Enquanto isso, na iniciativa privada, o dispêndio chegou a 28 milhões e 375 mil aposentados, com renda média na faixa de R$ 1,1 mil reais. Ou seja, na média, o servidor recebeu 7,45 vezes mais que o operário da iniciativa privada.

Os extremos são chocantes, o que explica muito bem por que a grande maioria das pessoas em nosso país, na hora da decisão sobre o que irão ser quando crescerem decidem, acertadamente, que gostariam de ser servidores públicos, não importa em qual dos poderes do Estado.

O mais revoltante saiu na revista "Época". No campo dos servidores ativos, o chefe do setor de reprodução da Câmara, aquele onde são feitas as cópias Xerox, segundo seu holerite de julho/2015, recebeu brutos nada menos que R$ 32.806, dos quais foram abatidos imposto de renda, contribuição a Plano de Seguridade, deixando líquidos R$ 22.783. Quem não acreditar pode ir internet e consultar a revista indicada, em texto e imagens que circulam livremente pelas "redes sociais".

O que temos nesse quadro? Que a expressão "marajá", criada nos idos do falecido governo Collor, se aplica perfeitamente. Enquanto a média dos 28 milhões dos segurados do INSS recebe R$ 1.100, o "xeroqueiro" da Câmara Federal embolsou R$ 32 mil brutos, pagando plano de previdência e satisfazendo o apetite do Leão, e ficando ainda com R$ 22,7 mil, livres.

Com todo o respeito pelos demais "xeroqueiros", parece que alguma coisa está absolutamente fora da realidade.

Há mais do que urgência na feitura de uma reforma no sistema previdenciário, englobando públicos e privados, gerando como resultado um sistema, senão único, o que seria ideal, pelo menos um que não contenha diferenças tão alarmantes quanto as que expusemos. Dos tempos de Collor para cá, os marajás continuaram existindo e se multiplicando, e não adianta apenas mudar a forma de pagamento das pensões por morte, se integrais ou parciais. O buraco é muito mais acima, e bem maior do que possa supor nossa vã filosofia.