Restam apenas cinco latas para que a pequena Ester, de apenas 1 ano, fique sem tomar leite. Isso porque ela tem alergia à proteína do produto e faz uso do Neocate, uma alternativa de alto custo: cada 400 gramas vale, em média, R$ 220,00.
Mãe da garota, a auxiliar de escritório Driele Loterio Nunes, de 29 anos, narra que consegue adquirir o leite especial junto ao Hospital Estadual de Bauru (HEB), de graça. Contudo, segundo ela, o produto acabou há, pelo menos, duas semanas.
Embora Driele ainda tenha cinco latas em casa, ficou preocupada diante da iminência de que acabassem, como ocorreu no início deste ano. Conforme o JC noticiou, o Estadual ficou sem o produto durante aproximadamente dois meses.
Na ocasião, a Secretaria de Estado da Saúde disse que estava impedida de realizar nova compra do Neocate, porque um de seus fornecedores vinha barrando o processo na Justiça e, com isso, impedindo que os estoques fossem normalizados.
O órgão aguardava decisão do Tribunal de Justiça de São Paulo sobre o recurso impetrado pela empresa ou que a autorizasse a realizar, ao menos, compra emergencial do produto.
Driele acrescenta, ainda, que uma lata de Neocate dura, no máximo, dois dias para os bebês recém-nascidos. Já as crianças que consomem outros alimentos, a partir dos seis meses de idade, utilizam uma lata a cada quatro dias.
‘TEMPORÁRIO’
Em nota, a assessoria da Secretaria de Estado da Saúde esclarece que o Neocate não está na lista de medicamentos - definida pelo governo federal - para distribuição na rede pública. Porém, a pasta disponibiliza um canal de solicitações administrativas de medicamentos. Cada pedido é avaliado individualmente, “com base em evidências científicas sobre a eficácia dos produtos prescritos”.
Além disso, o órgão reconhece que houve um “desabastecimento temporário” do leite especial, mas garante que o produto já foi adquirido e aguarda sua entrega, solicitada com urgência. A expectativa é de que o Neocate esteja disponível para a retirada na próxima semana.