| Samantha Ciuffa |
| Doda passa conhecimentos para ginetes bauruenses durante a clínica |
O cavaleiro Álvaro Affonso de Miranda Neto, o Doda, está em Bauru desde ontem ministrando uma clínica que segue até amanhã no Santa Rosa Centro Hípico, com a participação de 20 alunos. Esta é a primeira vez que Doda Miranda vem à Cidade Sem Limites.
Medalha de bronze nos Jogos Olímpicos de 1996 (Atlanta) e 2000 (Sydney), ele já disputou seis Olimpíadas e garante ainda ter muita “lenha para queimar” no hipismo. “Tenho a felicidade de competir em uma modalidade em que é possível atuar independentemente da idade. No Rio de Janeiro, o Nick Skelton (inglês) foi campeão com quase 60 anos. Quero ainda participar de mais umas quatro Olimpíadas e buscar uma medalha de ouro”, explica Doda, que no próximo dia 5 completa 43 anos de idade.
CENTRO
Após cerca de 20 anos morando na Europa, o cavaleiro vai ficar mais tempo em seu país natal, onde pretende montar um centro de treinamento, na Grande São Paulo. “Nos próximos dois anos vou continuar morando na Bélgica, mas ficando um tempo bem maior no Brasil também. Estamos montando um centro de hipismo, com os cavalos brasileiros de hipismo (BH), que são os melhores para o salto. Na pré-temporada, entre janeiro e março, vou continuar me preparando nos Estados Unidos”, cita. “Ainda estou em dúvida entre o Clube do Santo Amaro, o Clube de Campo São Paulo e um outro local privado, também na Grande São Paulo. Vou fazer isso junto com o Marquinho (Marcos Ribeiro), que é um amigo desde a base e uma pessoa que confio muito. A ideia é ter três alunos, para desenvolver três atletas de alto rendimento”, revela.
Formação
Para Doda, apesar do Brasil contar com bons cavaleiros e amazonas, muitos treinando e competindo fora do País, a formação apresenta algumas falhas. “Em muitos centros de hipismo não tem um padrão, onde as crianças possam começar a montar com pôneis, com selas adequadas ao tamanho deles. Quando você vê um adulto montando errado, tem muito disso, dessa desproporção, por não pegar a rédea no comprimento certo”, acredita.
Polêmica na Rio-2016
Após o Brasil ficar em 5º lugar por equipes no hipismo, nos Jogos Olímpicos do Rio de Janeiro, neste ano, o cavaleiro Rodrigo Pessoa, medalha de ouro em 2004, criticou o fato de ter sido chamado como reserva da equipe - ele acabou recusando e ficando fora da disputa. Doda afirmou, em entrevista na época, que Pessoa “passaria vergonha” com o cavalo que foi usado na montaria. “Eu não concordava com a posição dele de não ter vindo como reserva.
Quando o jornalista me perguntou falando do comentário dele, eu também errei, não deveria ter respondido, deveria ter falado com ele. Tenho grande respeito pelo Rodrigo. Ele pode estar em qualquer equipe do mundo. O Rodrigo não conseguiu o resultado na seletiva e o treinador teve que levar como titular quem teve os melhores resultados, por isso ele iria como reserva. No calor do 5º lugar, perdendo a medalha de bronze, acabei sendo infeliz no comentário, não é esse tipo de exemplo que temos de passar aos jovens”, destaca Doda Miranda.
Honra
A proprietária do Santa Rosa, Roberta Martha, diz que outras clínicas já foram realizadas e que Doda foi o nome mais conhecido até agora. “Estamos honrados em ter o Doda Miranda aqui. Ele está ensinando muita coisa, estamos muito felizes em recebê-lo aqui. O Doda ficou muito tempo na Europa, já o admirávamos e é muito bom ter ele pela primeira vez em Bauru”, pontua. Clínicas com outros nomes do hipismo devem ocorrer futuramente - algumas já foram realizadas, desde o ano passado.
| Samantha Ciuffa |
| “Estamos honrados em ter o Doda Miranda aqui...", relata Roberta Martha |