| Malavolta Jr./JC Imagens |
| Ano marcante: Gabriel Bessa também carregou a Tocha Olímpica |
“É algo que faz valer toda uma vida”. É assim que Gabriel Victor Gonçalves de Bessa Camareiro, 17 anos, define sua atual - e maior - conquista. Ele fará parte de um seleto grupo de 50 jovens brasileiros escolhidos para o Programa Jovens Embaixadores, que leva adolescentes de baixa renda aos EUA. “Sou o primeiro aluno de Bauru a conseguir isso”, aponta, orgulhoso, o estudante da Escola Estadual Carolina Lopes de Almeida, no Jardim Godoy.
A Embaixada dos Estados Unidos divulgou nessa sexta-feira (28) os nomes dos selecionados. “Para falar a verdade, a ficha nem caiu ainda”, disse à reportagem, horas após saber do resultado. “É algo muito difícil de se conseguir. Você tem que ser exatamente do perfil que eles procuram”, complementou Gabriel, que fará sua primeira viagem para fora do Brasil.
Os jovens embaixadores ficarão de 13 de janeiro a 4 de fevereiro de 2017 nos EUA. Durante essas três semanas, eles passarão pela Capital, Washington, além de seguirem em grupos menores para diferentes cidades americanas, onde ficarão hospedados em casas de famílias voluntárias.
“Vou levar a nossa cultura para lá. Representamos o Brasil lá fora. É uma experiência única”, destaca Gabriel.
Os jovens participarão de reuniões com autoridades do governo dos EUA, líderes comunitários, visitarão escolas e projetos sociais, participarão de atividades de voluntariado e, como representantes da juventude brasileira nos EUA, farão também apresentações sobre o Brasil, sua cultura e seu povo. No final da viagem, eles apresentarão planos de ação na área de voluntariado que serão implementados em suas comunidades após o retorno ao Brasil.
VENCEDOR
Os frutos colhidos agora por Gabriel vieram com muito esforço. Ele nasceu em São José do Rio Preto, mas, aos seis meses, mudou-se para Bauru junto à mãe Leila Gonçalves Leão de Bessa, após o abandono do pai.
A vida por aqui também seguiu difícil. Eles passaram a morar em uma edícula no Mary Dota e as refeições eram “só arroz e água”.
O garoto deu início aos estudos na Escola Estadual Professora Ada Cariani Avalone. Aos 7 anos, tornou-se integrante do projeto Guri, que incitou o desejo pela música, uma paixão estampada nos cabelos longos do jovem. Quando completou 10 anos, Gabriel começou a ajudar em casa. Junto à mãe, que estava desempregada, o então menino dedicava noites ao artesanato.
Mesmo assim, o menino encontrou tempo para se dedicar à música e ao curso de inglês, que fazia via Internet. Nesse meio tempo, passou a integrar um projeto do Serviço Social da Indústria (Sesi), onde dá assistência aos alunos de música e conserta os instrumentos até hoje.
“Foram pontos que me ajudaram muito a me tornar um jovem embaixador. A organização procura pessoas com proficiência alta em inglês e que tenha um histórico de trabalho voluntário”, conclui.
Aliás, 2016, está sendo um ano marcante na vida de Gabriel. Ele foi também um dos escolhidos a carregar a Tocha Olímpica, em julho, e repetiu o feito no desfile de Sete de Setembro.
Sem desistir
No ano passado, Gabriel “bateu na trave” e quase se tornou um jovem embaixador. “Eu cheguei na final em 2015, algo já muito difícil. São cerca de 20 mil concorrentes. Ficamos uma semana em Brasília com americanos. Foi algo que me enriqueceu muito”. Na época, reportagem publicada no dia 26 de setembro de 2015 do JC contou o feito do jovem nas etapas finais do programa.
Sem desistir – algo que parece um lema em sua vida -, Gabriel tentou novamente neste ano e veio a recompensa. Recompensa que pode, inclusive, definir o seu futuro. “Eu quero seguir esta carreira de música. Toco vários instrumentos, como violino, viola e violoncelo. E quero seguir nesta área, inclusive nos Estados Unidos mesmo. Então, será uma experiência única”, conclui.
Você sabia?
O programa Jovens Embaixadores existe desde 2002 e é uma iniciativa da embaixada americana, mas conta com a parceria das secretarias estaduais de Educação de todo o País, além de algumas escolas de idiomas.