10 de julho de 2026
Geral

Entrevista da semana: José Cláudio Pimentel Martha e Cecile Mariza Brodt Martha

Ana Paula Pessoto
| Tempo de leitura: 6 min

Fotos: Malavolta Jr.
União e força: José Cláudio Pimentel Martha e Cecile Mariza Brodt Martha são os proprietários da padaria Casca de Noz

Trocar de profissão para correr atrás de um sonho e empreender tem seus riscos, mas vale a pena. E quem afirma é o casal José Cláudio Pimentel Martha e Cecile Mariza Brodt Martha, empresários que dão voz à entrevista de hoje.

Donos e fundadores da padaria Doce Momento, hoje Casca de Noz, no mercado há 26 anos, eles comentam quais foram os desafios e os primeiros passos para crescer e alcançar a marca de três padarias, uma central de produção e empregar 112 pessoas, hoje.

“Eu acho fundamental que, em primeiro lugar, a pessoa goste do ramo onde está entrando. Depois é preciso se informar muito sobre esse universo. Em terceiro lugar é preciso saber que o mundo não aceita amadores. Você deve entrar de cabeça e não medir esforços”. Esta é a receita de José Cláudio, aliada ao esforço de toda a família. Leia mais a seguir.

Jornal da Cidade - Há quanto tempo vocês estão no ramo da panificação?

 José Cláudio Pimentel Martha - Há 26 anos.
Cecile Mariza Brodt Martha - E é uma história que começou diferente. Não era para ser uma padaria. Na verdade, eu tinha muita vontade de montar um negócio, pensei no começo em uma casa de lanches. Ele trabalhava no Banco do Brasil e eu era professora. Comecei a fazer uns salgadinhos, uns pães... E acabamos pensando em abrir uma pizzaria.

Cecile Mariza inovou ao criar o Chateli  
José Cláudio com as “mãos na massa”

JC - O projeto da pizzaria chegou a se concretizar?
José Cláudio - Não. Nossos planos mudaram por causa de uma experiência que eu tive com uma padaria de um amigo espanhol. Ele era um cliente do banco que eu trabalhava como gerente, e estava desesperado porque queria visitar a família na Espanha, mas não tinha com quem deixar a padaria. Ele insistiu para eu tomar conta do estabelecimento. Relutei, porque eu não conhecia nada sobre o assunto (risos). Pois ele fez até uma procuração para eu tomar conta de tudo por um mês, mais ou menos.    

JC - E quais foram os resultados?
José Cláudio - Ele me deixou lá e falou: “se vira” (risos). Mas, como eu não era dono, eu guardava todo o dinheiro que entrava. Tanto que quando ele voltou, tinha dinheiro aplicado e tudo mais. Ele até brincou que me deixaria nos negócios para ficar viajando. Este foi o meu primeiro contato com uma padaria. E eu gostei. Além disso, eu estava muito descontente com o banco, porque sempre fui muito idealista. Eu acreditava muito no banco, mas tive decepções e vi que não era bem o que eu imaginava. Meu amigo Davi, o dono da padaria, sugeriu que eu abrisse um comércio do tipo que ele me ajudaria.

JC - Foi então que nasceu a Doce Momento, hoje Casca de Noz?
José Cláudio - Sim. Nós já havíamos comprado o espaço na rua Joaquim da Silva Matha para uma possível casa de lanches ou pizzaria, mas nasceu ali a padaria.
Cecile Mariza - E ninguém sabia exatamente como colocar as “mãos na massa”. Ele foi aprender com o Davi, ficou um bom tempo trabalhando com ele e eu fui para São Paulo fazer cursos diversos. A gente entrou sem saber nada, mas aconteceu.

JC - Começaram a trabalhar somente com a mão de obra familiar?
Cecile Mariza - Basicamente. Nós tínhamos pouquíssimos funcionários, uns quatro ou seis, no máximo. Contamos bastante com a ajuda de um tio e de nossos filhos, que já eram adolescentes. Eles sempre se dedicaram muito e hoje trabalham bastante, praticamente estão à frente dos negócios, o que está nos proporcionando um certo descanso.

JC - Quais foram as maiores dificuldades do início?
Cecile Mariza - Foram muitas. Mas a maior delas foi acreditar que estava acontecendo.
José Cláudio - Fazer o ponto, fazer a clientela não é nada fácil. E depois foi preciso atingir um ponto de equilíbrio para a sustentação da empresa, algo que não acontece instantaneamente, tanto que continuei por mais uns oito meses no banco e ela também continuou dando aulas. Nessa época, saímos de casa às 5h e voltamos às 22h. E hoje temos três padarias, uma central de produção e 112 funcionários.

José Cláudio e Cecile Mariza com os filhos Cláudio, Tatiana e Cássio
Netos do casal: Mário, Letícia, Vinícius e Gabriela

JC - Vocês chegaram a criar produtos que os bauruenses ainda não conheciam?
José Cláudio - Sim. Eu acho que nós fomos os primeiros a fazer a “baguetinha”, em Bauru, a pedido de um cliente. Eu faço pães até hoje.
Cecile Mariza - Eu criei o chateli, um salgadinho frito. Tínhamos uma máquina de fazer salgados que era limitada. O produto era sempre uma bolinha. Como a finalização era nas mãos, eu dei uma achatadinha e nasceu o “chateli”. E eu já vi esse salgado em diversas padarias da cidade.

JC - Como é a relação de vocês com os clientes?  
Cecile Mariza - É excelente. Fizemos muitos amigos e temos muitas histórias vindas dessas relações.
José Cláudio - Eu acho que é preciso ouvir o cliente, é ele quem molda a empresa. Muitas de nossas coisas são o que são hoje porque ouvimos os desejos dos clientes. É preciso ouvi-los. A empresa que consegue captar o feedback que os clientes dão, certamente terá sucesso. E fazemos isso desde o início. Eles sempre tiveram um carinho por nós. Teve um que nos deu uma planta e “benzeu” a padaria para dar sorte e tirar qualquer coisa ruim.

JC - Quais são as dicas do casal empreendedor para quem pensa em abrir o próprio negócio?
José Cláudio - Eu acho fundamental que, em primeiro lugar, a pessoa goste do ramo onde está entrando. Depois é preciso se informar muito sobre esse universo. Em terceiro lugar é preciso saber que o mundo não aceita amadores. Você deve entrar de cabeça e não medir esforços para alcançar os objetivos propostos. Se for para ser mais ou menos é melhor não ir.

JC - Vocês trabalham juntos há 26 anos e estão juntos como um casal há quantos?
Cecile Mariza - Nós nos conhecemos desde sempre, na verdade (risos). Fomos vizinhos durante a infância e temos praticamente a mesma idade, então brincávamos juntos.
José Cláudio - Na verdade nós brigávamos muito juntos (risos). Isso na infância. O que acontecia é que ela vivia no meio dos meninos. Todo mundo brincava na rua de bola, de peão, burica e ela vivia se metendo nas nossas brincadeiras. Eu brigava com ela porque não gostava que ela brincasse com a gente. Parecia um menino (risos).
Cecile Mariza - Ele ficava bravo porque eu ganhava as “competições” muitas vezes (risos). Crescemos, passamos a sair juntos, ir ao cinema... E tudo foi acontecendo. Começamos a namorar quando eu tinha uns 18 anos e estamos casados há 45 anos. Temos três filhos e quatro netos. 

Perfil

Ele: José Cláudio Pimentel Martha tem 68 anos
Ela: Cecile Mariza Brodt Martha tem 66 anos
Ele: Nasceu em Bauru e é do signo de Touro
Ela: Nasceu em São Paulo e é do signo de Virgem
Juntos são pais de Cláudio, Tatiana e Cássio
Ele faz iscas artificiais de pesca como hobby
Ela pinta e nada como hobby
Livro de cabeira: O dele é 1984, de George Orwell; ela gosta de ler Gandhi
Ambos são corintianos e gostam de MPB
Nota 10: Ele dá para a organização humanitária Médicos Sem Fronteiras, ela para o serviço voluntário de maneira geral
Nota 0: Ele aponta a imoralidade atual como merecedora da nota; ela dá a nota zero para a política brasileira atual
E-mails: cau.1@hotmail.com e cecilebrodt@hotmail.com