08 de julho de 2026
Geral

2.º turno 'copia' primeiro em tranquilidade

Marcus Liborio e Luciana La Fortezza
| Tempo de leitura: 5 min

Renan Casal
Fila se forma antes do início da votação na Escola Estadual Mercedes Paz Bueno: Higienópolis
Renan Casal
Família unida também na hora de votar: Mario Cesar Borges Guimarães, Ana Luiza Borges Guimarães, Lucia Borges Guimarães, Mario Augusto M. Guimarães e Ely Munhoz Guimarães

O segundo turno das eleições municipais em Bauru foi marcado por tranquilidade no vaivém de eleitores nos pontos de votação percorridos pela reportagem. 

Um ponto fora da curva foi a Escola Estadual Ada Cariani Avalone, no Mary Dota, onde "santinhos" acabaram jogados na calçada.

Na Instituição Toledo de Ensino (ITE), um incidente à tarde: eleitora bateu carro em viatura da PM que estava parada no estacionamento. Não houve feridos. 

No geral, viu-se menos confraternização em frente às escolas (até porque muitas pessoas já se reencontraram no primeiro turno) e mais agilidade nas urnas, o que rendeu fluxo rápido e poucas filas. Aliás, tem quem chegou bem cedo para cumprir o compromisso do voto.

Caso de Laurinda Takao, de 68 anos. No primeiro turno, a aposentada já havia sido a primeira a chegar na Escola Estadual Mercedes Paz Bueno, no Higienópolis, conforme o JCNET mostrou. Nesse domingo (30), portanto, não foi diferente: Ela "liderava" a fila.

"Vim a pé de casa e cheguei por volta das 6h30", contou Laurinda, que, apesar do esforço, disse que votaria nulo, como fez na primeira etapa do pleito, no dia 2 de outubro. "Estou desacreditada. Não confio mais nos políticos".

TODOS JUNTOS

A família da dona de casa Ely Munhoz Guimarães, 65, permanece unida ao cumprir o dever cívico.

Por volta das 8h15, ela chegou na EE Ernesto Monte para votar, acompanhada do filho Mario Augusto, da nora Lucia e dos netos Mario Cesar, 9 anos, e Ana Luiza, 12. Apesar da pouca idade, as crianças já projetam exercer o direito de cidadania ao completarem 16 anos, idade em que a votação é opcional. "É uma forma de determinar o futuro da cidade onde vivemos", frisou Ana Luiza.

CONSTATAÇÃO

A limpeza constatada neste domingo demonstra que é possível fazer propaganda eleitoral sem sujar a cidade, aponta o antenista Mario Augusto.

"Um pouco é por causa da multa estabelecida pela Justiça eleitoral", considera.

Em 2012, Luciana Lucas, 64 anos, escorregou em um "mar de santinhos", em frente à escola estadual Francisco Alves Brizola, no Jardim Carolina. Três dias depois, ela morreu. o que provocou revolta e comoção.

Por essa razão, o "sumiço"' de material de campanha política em grande parte das escolas de Bauru foi também motivo de elogio por alguns eleitores tanto no primeiro quanto no segundo turno das eleições deste ano.

'Enquanto estiver vivo, votarei'

Fotos: Renan Casal
Ismar, 87 anos: Eu voto contente e feliz. Faço questão de exercer meu dever cívico a cada eleição
Independente da obrigatoriedade, Maria Angélica Rabêllo votou nesse domingo
O voto é obrigatório para os cidadãos brasileiros alfabetizados maiores de 18 anos e menores de 70. Acima desta idade, passa a ser opcional. O aposentado Ismar Lourenço de Moura, 87 anos, poderia, então, ter ficado em sua casa neste domingo.

Porém, mesmo tendo dificuldade de locomoção, o compromisso com a cidadania falou mais alto.

"Nunca deixei de votar em toda a minha vida. Enquanto estiver vivo, votarei", declarou à reportagem, minutos antes de acessar a urna na EE Vera Campagnani, Jardim Redentor.

Moura aproveitou o movimento mais tranquilo no horário do almoço, ontem, para também participar do segundo turno das eleições municipais, que elegerá o novo prefeito de Bauru pelos próximos quatro anos.

"É um dever de todo brasileiro. Se não votarmos, não poderemos, mais tarde, cobrar dos governantes melhorias na cidade. Eu voto contente e feliz. Faço questão de exercer este ato cívico a cada eleição", finalizou o aposentado.

AMOR PELA CIDADE

Outra que optou por votar neste domingo foi a professora e diretora de escola aposentada Maria Angélica Rabêllo, de 72 anos. Logo pela manhã, ela se dirigiu até a EE Ernesto Monte, no Altos da Cidade, para também deixar sua contribuição à democracia.

"Ser politizado não é somente falar de política, mas fazer política. E fazer política é, primeiro, votar", opina. "Qualquer um dos dois concorrentes se candidatou, acredito, por amor à cidade. Espero que esse amor permaneça depois de eleito", acrescenta Rabêllo.

OUTRO EXTREMO

Embora o voto seja permitido a partir dos 16 anos, pouco se soube de eleitores com esta idade participando do segundo turno em Bauru. Allan Boratelli já atuou como mesário em pelo menos seis pleitos na Escola Estadual Torquato Minhoto, no Bela Vista.

"Aqui na seção em que trabalho, não me lembro, em todos esses anos, de ter encaminhado um adolescente às urnas", disse.

Franciscato ressalta necessidade de respeito durante toda a gestão

Malavolta Jr.
Para Franciscato, a situação crítica vivenciada pelo País fará com que todos os gestores 'comecem do zero'
A exemplo do que havia declarado no primeiro turno, o ex-prefeito e ex-deputado federal de Bauru, empresário Alcides Franciscato, ressaltou, ontem, que o novo chefe do Executivo deve respeitar a população durante toda a sua gestão. Na opinião dele, uma conduta de respeito resulta em trabalho honesto em favor do município. "Foi o que eu dei para a minha terra", comentou logo após votar ontem na Escola Estadual Ernesto Monte, ao lado do Palácio das Cerejeiras, Altos da Cidade.

Para Franciscato, a situação crítica vivenciada pelo País fará com que todos os gestores 'comecem do zero'. "O novo prefeito terá de solucionar os problemas dos mais pobres e dos que estão melhores na vida. As prefeituras terão dificuldades", comenta. Ainda assim, ressalta que desespero, independentemente da situação, torna-se um risco capaz de fazer com que o novo chefe do Executivo nada resolva, seja qual for a cidade sob sua administração. "Milagres, só Deus faz", destacou.

Segundo o ex-prefeito, o próximo governante do município deve ter um caráter sólido para realizar um bom mandato para a cidade. "Quando há honestidade e vontade de trabalhar, é possível resolver os problemas da população em geral", concluiu.