09 de julho de 2026
Articulistas

Aos novos prefeitos

Archimedes Azevedo Raia Jr.
| Tempo de leitura: 2 min

As cidades brasileiras vêm crescendo, nas últimas décadas, amalgamadas no transporte motorizado individual e pensando na mobilidade do veículo e não das pessoas. Como resultado, têm-se cidades com trânsito lento ou congestionado, poluições sonora e do ar, ocupação excessiva do solo público, milhares de vítimas fatais ou seriamente feridas. Algumas já convivem cotidianamente com o caos, negando ao cidadão a desejada qualidade de vida.

O Brasil vem seguindo os padrões americanos, onde as cidades são construídas ou adaptadas ao uso do automóvel. Muitas delas, no entanto, como é o caso de Los Angeles, que possuía taxa de motorização de mais de um veículo por pessoa, agora cobram da administração municipal a não aplicação de vultosos recursos em infraestrutura para o transporte individual e sim em ações que favoreçam a mobilidade sustentável.

O Brasil deveria adotar o padrão europeu, que há muitos anos vem implementando ações para desestimular o uso do automóvel. Cidades como Colônia, Munique, Lisboa, Copenhague, Estocolmo, Paris, dentre outras, passaram a incentivar e oferecer condições adequadas para facilitar o transporte a pé, por bicicleta e transporte coletivo (BRT, VLT e Metrô). Para tal, é preciso vontade política dos nossos administradores e políticos. Espírito empreendedor e inovador são virtudes desejadas nos prefeitos. Mesmo reconhecendo as especificidades na gestão pública, é fundamental, tal como ocorre na iniciativa privada, a busca por resultados, melhor utilização dos recursos, visando à melhoria dos serviços públicos. É possível criar um ambiente empreendedor, ainda que vivenciamos um cenário em que a burocracia e o comodismo sejam predominantes nos órgãos públicos.

Apesar das dificuldades, há que se ressaltar que os brasileiros estão mais preparados para a mudança de paradigma na mobilidade urbana. Uma recente pesquisa de opinião feita pelo Datafolha mostra que o brasileiro deseja menos automóveis nas ruas para ampliar o transporte público, calçadas e ciclovias. A pesquisa abrangeu 132 municípios de todas as regiões. As pessoas responderam questões sobre medidas de desestímulo ao uso do carro, tais como redução do número de vagas de estacionamento nas vias, das faixas de tráfego e o fechamento de ruas para automóveis. Cerca de 75% dos entrevistados se declararam favoráveis a ações para ampliação de espaço para ciclovias, corredores de ônibus e calçadas.

Se a elas fossem oferecidas infraestruturas adequadas, os meios de transportes preferidos para circulação urbana seriam: ônibus (42% das pessoas), carro (23%) e bicicleta (21%). Há que se ressaltar que 33% das viagens nas cidades brasileiras são feitas pelo modo a pé. Adversamente do que se poderia esperar, de que o automóvel é o sonho da população para locomoção na cidade, esses dados apontam que as pessoas querem, principalmente, transporte público acessível e de qualidade. Dos prefeitos se espera coragem, probidade e competência. Só assim serão lembrados positivamente pela história.