| Malavolta Jr. |
| Telma, que conversa com Rossi, usou a tribuna para pedir bom senso na utilização da área |
Durante a sessão de ontem da Câmara Municipal, a vereadora Telma Gobbi (SD) pediu, na tribuna, que Prefeitura de Bauru e Fundação para o Estudo e Tratamento de Deformidades Craniofaciais (Funcraf) cheguem a um acordo para a destinação da área de 200 mil metros quadrados atualmente nas mãos da entidade. O caso foi relatado pelo JC na semana passada, e configura uma disputa jurídica.
O município tem a intenção de reaver o terreno, com a finalidade de ceder para empresas ou para um futuro polo tecnológico, pois a gleba está localizada ao lado do Distrito Industrial 2 de Bauru, próximo da Rodovia Bauru-Jaú (SP-225). "Trata-se de uma área em local nobre, e que poderia ter uma destinação com finalidade econômica, pois hoje há uma dificuldade de encontrar terrenos para a instalação de empresas, que poderiam gerar empregos e tributos como ICMS. Os jovens de Bauru muitas vezes precisam sair da cidade para trabalhar", argumentou Telma. "E a atuação da Funcraf em outras cidades não depende desse espaço em Bauru", pondera.
Para ela, o ideal seria uma solução amigável entre prefeitura e Funcraf. "É importante salientar que a Funcraf teve um papel de destaque no passado, mas a partir do momento em que a Justiça do Trabalho impediu a contratação de funcionários pela entidade, alguns prestaram concurso e foram aprovados, outros foram saindo. Hoje a função da entidade não corresponde ao que ela fazia, então acho que deve haver esse bom senso. A Funcraf utilizou quando precisou, e agora seria justo que devolvesse para que o município possa destinar de outra maneira", ressaltou. "Se isso ficar na Justiça, sabemos que pode demorar anos. Então o ideal é um acordo", concluiu. Antes de estar nas mãos da Funcraf (desde 1998), o espaço foi usado pela Agroquisa, e também pela Boehringer.
A FAVOR
Presidente da Comissão de Indústria, Comércio, Agricultura e Abastecimento da Câmara, Markinho da Diversidade (PP) também é favorável à devolução do terreno. "Sabemos que hoje há uma dificuldade muito grande em conseguir áreas na cidade para instalar empresas, até por conta da Lei do Cerrado. Então um local como este precisa ser usado", citou.
Markinho apoiou o prefeito eleito Clodoaldo Gazzetta (PSD), que tem entre suas propostas de governo a criação de um polo tecnológico em Bauru, com fomento do Ministério da Indústria, Comércio e Comunicações, de Gilberto Kassab.
"Ele já sinalizou que pode ajudar na implantação de um parque tecnológico. Inicialmente a ideia é fazer próximo ao Aeroporto Moussa Tobias, mas essa área que está com a Funcraf também é viável, pois a localização é boa", mencionou o parlamentar.
Eleição repercute no Legislativo
A vitória de Gazzetta (PSD) no domingo, no segundo turno das eleições municipais, também repercutiu na Câmara. Os parlamentares aliados ao prefeito eleito o cumprimentaram, a exemplo do candidato derrotado Raul Gonçalves Paula (PV) e seu vice Arildo Lima Jr. (PSDB), que são vereadores. Ambos desejaram sucesso a Gazzetta, mas reiteraram que vão cobrar.
"Quero agradecer muito os 70 mil votos dos bauruenses que confiaram em nosso projeto. Foi muito gratificante sair candidato a prefeito na cidade onde nasci, cresci e criei meus filhos. É cansativo, mas valeu muito a pena conhecer novas pessoas e sentir o calor humano", frisou Raul. "Temos que fiscalizar sempre, independentemente de ter ou não mandato eletivo. Não se trata de terceiro turno, mas sim de exercer o papel de cidadão. E, claro, desejo um bom mandato ao Gazzetta, pois acima de tudo está Bauru", disse Lima Jr.
Roque Ferreira (PSOL), que também deixa o Legislativo no fim deste ano, fez a avaliação mais crítica do processo eleitoral na cidade e no País, com várias ponderações ao pleito realizado anteontem. "O voto manifestou um interesse momentâneo do eleitor, em detrimento a assuntos de médio e longo prazo, que são mais abstratos e precisam também de discussão. Parabenizo os dois candidatos e seus vices, e desejo um bom mandato ao Gazzetta, mas reitero que não dá para contar apenas com emendas parlamentares para governar uma cidade. Até porque as emendas são o maior antro de corrupção que temos na República hoje. E que o destravamento da cidade seja realmente com um atendimento eficiente nos postos de saúde, no transporte público e o acesso à educação e formação escolar", discursou, durante o uso da tribuna.