| Douglas Reis |
| Rodrigo e Gazzetta fizeram primeira reunião de trabalho depois da eleição na manhã desta segunda-feira |
Durante toda a corrida eleitoral, os candidatos à Prefeitura de Bauru tiveram suas propostas e promessas confrontadas com a escassez de recursos nos cofres públicos, tanto na esfera municipal quanto nas estadual e federal. Eleito neste domingo, Clodoaldo Gazzetta (PSD) pretende, nos próximos dias, se debruçar sobre o Orçamento previsto para 2017 a fim de negociar eventuais ajustes no projeto de lei, que tramita pela Câmara Municipal, junto aos vereadores dessa legislatura, que votarão a proposta, e ao prefeito cessante, Rodrigo Agostinho (PMDB), com quem fez a primeira reunião do processo de transição já nesta segunda-feira.
Um dos compromissos de Gazzetta durante a campanha foi o de aumentar o repasse a creches privadas, que, sem fins lucrativos, acolhem milhares de crianças de até cinco anos, cujo atendimento não seria suportado pela rede própria da Secretaria de Educação.
Este é só um exemplo de medidas do novo prefeito que exigiriam mudanças na Lei Orçamentária.
"O Rodrigo se colocou à disposição para eventuais ajustes. Caso nosso grupo entenda que sejam necessárias algumas alterações, estou disposto a conversar com os atuais vereadores na semana que vem para explicar a eles o porquê. Farei esse esforço político", diz o prefeito eleito.
O Palácio das Cerejeiras estima que o sucessor de Agostinho tenha R$ 888,5 milhões à disposição para 2017. Se considerados os órgãos da administração indireta, o valor chega a R$ 1,2 bilhão. A margem para investimentos, porém, é baixíssima.
Até o envio da do projeto de lei, que precisa ser votado pela Câmara Municipal antes do recesso parlamentar, que tem início em 16 de dezembro, a equipe econômica do governo dedicou-se a promover cortes nas previsões de despesas das secretarias, que ultrapassavam em quase R$ 37 milhões a estimativa inicial de receitas para a prefeitura. A situação mais complicada é a da Saúde.
Além da Lei Orçamentária Anual (LOA-2017), Rodrigo Agostinho entregou a Gazzetta, na manhã de ontem, documentos com os organogramas de todas as pastas. Gazzetta disse já no domingo que pretende reestruturá-los, viabilizando, inclusive, a criação de subprefeituras. Relatórios sobre as despesas com salários e benefícios a servidores e sobre o quadro de cargos comissionados também foram disponibilizados ao eleito.
Transição terá equipe enxuta
A lei vigente que regra os processos de transição permite que a equipe do prefeito eleito seja formada por até 18 pessoas, uma para cada secretaria ou órgão da administração indireta. Ontem, contudo, Rodrigo Agostinho e Clodoaldo Gazzetta sinalizaram que o grupo do próximo chefe do Executivo seja formado por algo em torno de cinco membros.
"Nesta terça-feira, vou me reunir os presidentes dos partidos [que apoiaram sua candidatura], com a coordenação da minha campanha e com os vereadores eleitos para fechar essa equipe, cuja composição deve ser anunciada entre terça [hoje] e quarta-feira [feriado de Finados]".
Os primeiros nomes do futuro secretariado, adianta Gazzetta, já devem ser anunciados a partir da semana que vem.
"Não temos muito tempo. Vamos começar pelas áreas mais estratégicas para quem possam tomar pé e darmos início ao nosso plano de governo em janeiro".
Agostinho, por sua vez, já adiantou três nomes que indicará para a transição: os secretários de Administração, Everson Demarchi; de Finanças, Marcos Garcia; e de Negócios Jurídicos, Maurício Porto, titulares das chamadas "secretarias-meio", cuja atuação passa por todas as demais áreas de governo.
Rodrigo diz que, de agora em diante, pretende promover encontros de Gazzetta com todo o primeiro escalão de sua gestão e, com o prefeito eleito, visitar todas as obras em andamento que não conseguirá inaugurar.
"Para que ele saiba o andamento de cada uma delas e até participe de algumas tomadas de decisão".