10 de julho de 2026
Articulistas

Princípios republicanos da transição

Braz Melero
| Tempo de leitura: 3 min

“Na política, nunca seja tão amigo que não possa se tornar inimigo; nem tão inimigo que não possa se tornar amigo”. Espera-se que a sabedoria do dr. Ulysses inspire os grupos políticos nas transições de governos. Tal qual em uma corrida de revezamento, durante preciosos segundos os músculos dos corredores se movimentam sincronizados, lado a lado, no mesmo ritmo, como se fossem um só, segurando o suado bastão. Detalhes na transição levam à glória ou ao ostracismo.


Para que haja sincronismo, na transição e gestão, a tese que elegeu João Dória prefeito de São Paulo é a exigência de postura empresarial. O saudoso empresário e político Moussa Tobias já manifestava essa lógica: “Bauru precisa de um administrador” (JC-09dez01). No mundo empresarial, a sucessão jamais prescinde do lapso de tempo de convivência comum.

    

Objetiva não apenas obter dados e números, mas os detalhes e suas decodificações, nos aspectos do negócio. No caso das eleições, durante as campanhas os candidatos procuram demonstrar que “está tudo dominado”. Mas, via de regra, sobre a maioria dos temas só possuem “informações”. Conceitualmente sabemos: “informação nem sempre é conhecimento, que está longe de ser sabedoria”.


Essa realidade está ilustrada na edição do JC, do último dia 2, no tema Iluminação Pública (IP) de Bauru. A matéria realça a diferença entre a fatura paga à CPFL e a arrecadação da Contribuição, paga pelos munícipes: “Hoje, a prefeitura precisa cobrir a diferença com cerca de R$ 5 milhões/ano”. Acrescento que, para engrossar a “fama de sortudo” do prefeito Rodrigo e pela competência do corpo jurídico, Bauru está entre os 6%, dos municípios brasileiros ainda protegidos por liminar, para não assumir o parque de IP.


No fio da navalha, caso a liminar seja cassada, o déficit anual pode chegar a R$ 13 milhões. Como desde 2005 Bauru abdicou da “Gestão Energética Municipal - GEMA”, conforme fundamentei neste espaço (JC-07jul16), é de bom tom que tome tento e aproveite para resgatar este valioso instrumento técnico de planejamento e gestão, sem coloração partidária. No bojo, é conveniente arregaçar as mangas e colocar na pauta as Parcerias Público Privadas – PPPs, regulamentadas a nível federal desde 2004 e em Bauru  só este ano. O processo de maturação pode levar um ano. Ainda na transição, é louvável que os encontros iniciem com os secretários das atividades de apoio ou sustentação, mas não podem parar aí.


O protagonismo da prestação de serviço envolve as demais secretarias e as três presidências, com vínculo à prefeitura. Nunca é demais considerar outros conceitos, que, se não levados em conta, podem desfigurar o diagnóstico: “Generalistas sabem pouco sobre muito; Especialistas sabem muito sobre pouco”. Daí a importância de preservar o que é indelegável: participações dos titulares das áreas cessantes e entrantes.


Também não posso deixar de registrar os lapsos das duas últimas transições em Bauru, que envolveram grupos políticos distintos: 1. O eleito em 04out2004 abdicou desse direito e diversos órgãos precisaram deixar o “bastão no chão”, inclusive nas atividades que eu exercia (Cohab e GEMA);  

   

2. O eleito em 28out2008 só nomeou equipe 26 dias corridos antes do início do mandato (JC-04dez08). Por esses precedentes, não posso deixar de louvar a iniciativa dos grupos políticos de Rodrigo Agostinho e Clodoaldo Gazzetta por darem início de pronto ao processo de transição de governo, com princípios democrático e republicano.

O autor foi executivo da CPFL, do Gabinete, Prefeitura e Cohab. Integra o Lions Bauru Centro, a Comissão Assuntos Comunitários da OAB e Conseg Centro Sul, representando a Assenag.