09 de julho de 2026
Tribuna do Leitor

Um turbilhão vem aí

Antonio Carlos Azevedo dos Santos
| Tempo de leitura: 3 min

Seria a vitória do Palmeiras no Campeonato Brasileiro? Quem sabe... Ou seria que os políticos finalmente votariam a favor da reforma política para as próximas eleições ? Quem sabe, um dia... Mas o turbilhão que vem aí é o que afirma o economista americano Erik Brynjolfsson, diretor do centro de Negócios Digitais do Instituto de Tecnologia de Massachusetts (MIT), "a segunda era das máquinas".

É como ele chama o atual momento, porque o que as tecnologias da computação e os avanços digitais estão fazendo pelo nosso cérebro é o mesmo que as máquinas a vapor fizeram pelos nossos braços na época da Revolução Industrial, a primeira era das máquinas.

O professor afirma que o desenvolvimento da inteligência artificial levará a humanidade a uma transformação só comparável à provocada pela Revolução Industrial. São elas que vão potencializar a capacidade humana de maneira a mudar mais uma vez a forma como vivemos, e como será o mundo no futuro próximo.

A história da humanidade é marcada por longos períodos de estabilidade, tanto se refere ao crescimento da economia como em relação à melhoria do padrão de vida. Uma das poucas exceções foi justamente a Revolução Industrial, neste atual caso o potencial é muito maior. Essas transformações estão criando um novo impulso para o crescimento da economia global, as taxas de aumento de produtividade no mundo desde a década de 70 não são tão altas quanto entre 2000 e 2010, e o principal responsável por isso é o uso da tecnologia.

O importante é que a capacidade humana ainda faz diferença, a combinação entre homens e máquinas é sempre benéfica, na verdade, não foram esgotados nosso potencial de inovação, temos um ambiente mais do nunca propício para criar soluções inovadoras. A internet está prestes a atingir 5 bilhões de pessoas, é muito mais do que qualquer tecnologia já alcançou. Todos esses bilhões de pessoas não apenas terão mais acesso à informação como também, e o mais importante, serão capazes de criar - ou seja, de acrescentar novos conhecimentos ao mundo.

Nada preocupa mais de que a questão do emprego. Não dá para desprezar o fato de que diversas atividades hoje realizadas por homens serão substituídas por máquinas. Fatalmente teremos uma massa de desempregados, metade dos trabalhos que existem hoje deverá desaparecer no prazo de uma ou duas décadas. Por que isso é inevitável ? Vejamos o exemplo da Kodak e do Instagram. Os principais sócios do Instagram são, cada um deles, dez vezes mais ricos do que era Geoge Eastmam, o fundador da Kodak. Só o instagram tem cerca de 5.000 funcionários - contra 145.000 que a Kodak teve em seu auge. Em compensação, outras ocupações, mais ligadas ao raciocínio, como a de analista financeiro, ou mesmo ocupações manuais, como a de cabeleireiras, estão se saindo bem nessa era de transformações digitais. A questão principal não é a oposição entre o trabalho intelectual e o manual, mas entre o repetitivo e o não repetitivo - é esse segundo tipo que tem conseguido sobressair.

A partir destes avanços deveríamos discutir novos marcos regulatórios para os negócios, pensar na reinvenção que será necessária na educação para esse novo mundo, e encontrar soluções para o problema da desigualdade, que tende a se acentuar. Atualmente, está muito claro que os computadores são ótimos para encontrar respostas, mas ainda não são capazes de desenvolver questões. Essa habilidade até agora parece ser unicamente humana e tem alto valor.