09 de julho de 2026
Geral

Infestação do Aedes cai em Bauru, mas estado de alerta permanece

Cinthia Milanez
| Tempo de leitura: 3 min

Fotos: Malavolta Jr.
João Paulo da Silva Freitas, de 16 anos, mora no Jardim Panorama e percebe uma colaboração mútua entre os vizinhos
Enilzete de Jesus Silva, de 47 anos, vive na rua Marco Antônio Piccirilli, no Parque Bauru, um dos bairros considerados mais críticos
Aline Diorio Nunes, de 31 anos, visitava o pai, que vive no Jardim Panorama: não há pratos embaixo dos vasos de plantas

O mais recente estudo sobre o nível de infestação por larvas do mosquito Aedes aegypti - transmissor da dengue, do zika vírus, da febre chikungunya e da febre amarela - trouxe uma boa notícia para Bauru. Dados revelados com exclusividade ao JC e que serão divulgados nos próximos dias pelo município apontam que, em outubro deste ano, o índice predial médio chegou a 1%, contra os 3,3% do mesmo período de 2015. Apesar da queda significativa, a cidade permanece no estado de alerta, conforme o limite preconizado pelo Ministério da Saúde.

Diretor da Divisão de Vigilância Ambiental do Departamento de Saúde Coletiva da Secretaria de Saúde, Daniel Godoy Tarcinalli salienta que as medidas de combate ao Aedes não podem ser interrompidas. Ele atribui a queda do nível de infestação por larvas do mosquito ao trabalho conjunto da pasta e da população. “Em regiões mais críticas e próximas às unidades em que a população com dengue busca atendimento médico, realizamos a remoção de criadouros”, acrescenta.

Segundo Tarcinalli, do total de 5.243 imóveis comerciais e residenciais visitados pelas equipes, em apenas 46 foram identificadas larvas do mosquito. No mesmo período de 2015, foram encontrados focos do Aedes em 201 locais, dos 6.159 percorridos. “É um resultado positivo, mas não podemos nos esquecer que ainda tem gente que não segue as recomendações. Com a proximidade da época de chuvas, a prevenção se torna palavra de ordem”, observa.

Para se ter uma ideia, há áreas em que os índices eram 5,9 e 5,1 e a redução foi para, respectivamente, 0,7 e 1,3 (veja ilustração abaixo). Entre os bairros que apresentaram índices acima do tolerável, está a seguinte região: Vila Cardia, Cruzeiro do Sul, Marambá, Guadalajara, Vila Coralina, Parque Paulistano, Jardim Redentor, Jardim Carolina, Jardim Carolina, Geisel, Contorno, Vila Engler, Jardim Niceia, Camélias e Vila Aviação. Nessa área, o patamar de infestação foi 1,9%.

Enilzete de Jesus Silva, de 47 anos, vive na rua Marco Antônio Piccirilli, no Parque Bauru, um dos bairros considerados mais críticos por Tarcinalli, mesmo que não componha a região com pior desempenho. No ano passado, o marido de Enilzete foi diagnosticado com dengue e, por sorte, já passa bem. “Eu faço minha parte, mas do que adianta, se os vizinhos não pensam dessa forma?”, questiona.

NENHUMA LARVA

Já a região que engloba a Vila Antártica, o Jardim Higienópolis, o Jardim Brasil, a Vila Universitária e o Jardim Panorama apresentou o melhor resultado possível: nenhuma larva foi encontrada nos imóveis desses bairros. No mesmo período do ano passado, o índice predial, nos mesmos locais, era de 3% . “Fizemos um trabalho mais intenso, com visitas para orientação e eliminação de criadouros junto aos administradores dos condomínios, principalmente”, explica Tarcinalli.

João Paulo da Silva Freitas, de 16 anos, mora na rua Benedito Moreira Pinto, no Jardim Panorama. O jovem, inclusive, percebe uma colaboração mútua entre os vizinhos. “Todos fazem sua parte. No meu caso, procuro me livrar de objetos que possam acumular água”, relata.

Na mesma rua, porém, um pouco mais adiante, Aline Diorio Nunes, de 31 anos, visitava o pai, que vive na via. “Ele não coloca pratos embaixo das plantas, simplesmente, deixa a água escorrer”, relata a mulher, que também aderiu à prática.

Casos confirmados

Do início deste ano até o momento, o município totaliza 1.358 casos de dengue, sendo 1.325 autóctones, 33 importados e um óbito.

No mesmo período do ano passado, foram contabilizados 8.711 casos da doença, sendo 8.622 autóctones e 89 importados, com seis óbitos. Já sobre a zika, Bauru registrou quatro casos da doença em gestantes neste ano. Conforme o JC noticiou nessa terça-feira (8), um dos bebês nasceu com alteração neurológica, porém, ainda não é possível associar ao vírus. Também em 2016, há um caso confirmado de chikungunya.