10 de julho de 2026
Política

Fogolin é confirmado por Gazzetta como secretário de Saúde


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Malavolta Jr.
José Eduardo Fogolin Passos assumirá a Saúde

Antes mesmo de Clodoaldo Gazzetta (PSD) ter sido eleito prefeito de Bauru, já comentava-se nos bastidores políticos que, caso obtivesse sucesso no pleito, o médico José Eduardo Fogolin seria o titular da Secretaria Municipal de Saúde. As especulações foram confirmadas na manhã desta quarta-feira (9), quando o nome foi reiterado pelo chefe do Executivo, cuja gestão terá início no dia 1 de janeiro de 2017.

Atual coordenador do Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu), Fogolin participou da elaboração do plano de governo de governo de Gazzetta. Terá de recorrer à experiência acumulada nos oito anos em que atuou no Ministério da Saúde para gerir pasta é sensível, em meio à escassez de recursos no Palácio das Cerejeiras.

Neste quarta-feira, juntos, anunciaram as diretrizes do novo modelo de gestão, cujo objetivo principal é pôr fim às filas de pacientes por exames de diagnóstico. Conforme o JC divulgou, trata-se de uma meta ousada.

Hoje, a pactuação do Sistema Único de Saúde (SUS) define o governo estadual como responsável por esses serviços. Além disso, a complexidade do gargalo é tamanha que, mesmo com sentença do Tribunal de Justiça acolhendo ação civil pública que tinha como objetivo dar fim à demanda reprimida por exames, o Ministério Público (MP) preferiu não executá-la.

O promotor Henrique Varonez tem conduzido força-tarefa que envolve o município, o Departamento Regional de Saúde (DRS) e a Famesp, a fim de, gradualmente, ampliar a oferta de exames e consultas especializadas.

Gazzetta disse que este é um dos nove eixos do novo modelo para a gestão da Saúde no município. Outro ponto destacado por ele é a inversão da lógica do sistema, que priorizará a atenção básica. “Os postos dos bairros serão a porta de entrada para a população”.

O prefeito eleito reiterou a necessidade de descentralizar as políticas públicas, a partir do mapeamento do perfil epidemiológico de cada um dos quatro territórios da cidade propostos por seu plano de governo.

APERTO

Por mais que aponte mudanças na gestão e a racionalização de despesas na Secretaria de Saúde, a falta de recursos mostra-se como o principal obstáculo para a concretização das ideias do prefeito eleito. Contratar exames para reduzir ou acabar com as filas, mesmo que por meio da Fundação Regional, como defendeu Gazzetta durante a campanha, exige dinheiro.

Até o fim do ano, a pasta já suspendeu a manutenção preventiva de viaturas, exceto pelas utilizadas pelo Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu), como revelou reportagem do JC na última segunda-feira.

Em setembro, o secretário municipal Fernando Monti admitiu buraco de R$ 7,3 milhões entre a previsão de despesas e a expectativa de receita disponível até dezembro, quando chega ao fim a gestão do prefeito Rodrigo Agostinho (PMDB).

O orçamento da Saúde para este ano foi aprovado em R$ 209 milhões, mas já chegou a quase R$ 218 milhões, frente a necessidade de R$ 225 milhões alegada pela pasta.

O prognóstico para 2017 é ainda mais preocupante: a Peça Orçamentária enviada pela atual gestão à Câmara Municipal estima receitas de R$ 210 milhões para a secretaria, que, em recente audiência pública, exibiu nota técnica informando a necessidade de revisão das programações para o próximo exercício por falta de dinheiro.

Diretor de Planejamento da Secretaria de Saúde, Pedro Pereira afirmou que, pela primeira vez, o volume de verbas projetado para o ano seguinte é nominalmente menor que o montante a ser executado até o fim do atual.