09 de julho de 2026
Articulistas

Trump: será preciso domá-lo

Reinaldo cafeo
| Tempo de leitura: 2 min

Havia consenso de que a escolha sobre quem deveria comandar os Estados Unidos recairia sobre a “menos ruim”, no caso Hillary Clinton, dada sua postura mais previsível, mas não foi isso que ocorreu e a “fera” Donald Trump foi eleito. Abalos na economia à parte, considerando que não há o que fazer, o indicativo é que ele precisa ser “domado”. Uma coisa foi o discurso extremado, outra coisa é a vida real, de tomada de decisões, comandando a maior economia do mundo, fora todo poderio bélico à sua disposição.


Evidentemente que quem tem problema de caráter se trai ao longo do tempo, mas é preciso esperar para ver o que efetivamente pode ocorrer. No caso específico do Brasil, pouca coisa foi debatida durante a campanha. Na verdade, a América Latina foi esquecida pelos então candidatos Hillary e Trump. Os Estados Unidos são o segundo maior parceiro comercial brasileiro, perdendo somente para China. O Brasil é o nono maior comprador de produtos dos Estados Unidos, ficando na décima sétima posição como fornecedor àquele País. O comércio bilateral totaliza algo próximo a US$ 65 bilhões ao ano, com resultado favorável aos EUA na ordem de US$ 8 bilhões ao ano. O comércio entre os dois países cresceu 30% nos últimos cinco anos.


Por este prisma será fundamental que o presidente Michel Temer busque o diálogo, inclusive corrigindo a recente fala “politicamente incorreta” do ministro das Relações Internacionais José Serra que externou sua preferência pela democrata Hillary Clinton. Voltando à futura gestão de Trump, é certo que o mundo viverá momentos de ansiedade. A cada decisão tomada haverá o receio de não ser na direção correta. Até mesmo a questão da globalização em curso poderá sofrer um revés. Devemos lembrar que os Estados Unidos são o berço desta visão ampliada da integração dos mercados mundiais, mesmo que executada de maneira imperfeita.


Protecionismo interno, como preconizou Trump em sua campanha, vai no sentido contrário de tudo que foi preconizado até agora. Isso sem falar da futura política com os imigrantes, inclusive para os milhares de brasileiros que lá residem. Como colocado, o Partido Republicano, seus assessores, enfim, os mais próximos a Trump terão de ajudar no estabelecimento de limites, caso contrário, estaremos diante de uma bomba ambulante.


Alguma coisa estranha está ocorrendo no mundo e devemos ficar atentos a este novo movimento para evitarmos retrocessos. A fera Trump precisa ser domada, para o bem da humanidade.

O autor é economista e articulista do JC