10 de julho de 2026
Nacional

Secretaria de Segurança de SP é desocupada após tumulto

Por Elaine Patricia Cruz | ABr
| Tempo de leitura: 2 min

Os manifestantes que protestavam nesta quinta-feira (10) contra a morte de cinco jovens da zona leste de São Paulo decidiram desocupar o saguão da Secretaria de Segurança Pública, no centro da capital, por volta das 20h20. Eles permaneceram no prédio por cerca de uma hora e deixaram o local após o secretário Mágino Alves Barbosa Filho descer para falar com eles.

O protesto teve início por volta das 18h na Faculdade de Direito da Universidade de São Paulo (USP), no Largo São Francisco. Previsto inicialmente para ser uma vigília, os manifestantes fizeram uma caminhada, segurando velas, até a sede da secretaria, onde o ato seria encerrado. Mas, chegando lá, os manifestantes decidiram ocupar o saguão do local, pedindo para falar com o secretário.

Inicialmente, um assessor informou que ele estava em Goiânia. Poucos minutos depois, no entanto, ele desceu e falou aos manifestantes que receberia uma comissão formada por quatro pessoas. Antes que os manifestantes decidissem como isso ocorreria, o secretário deixou a secretaria e, pela rua Líbero Badaró, deu a volta no prédio até a garagem, sendo seguido pelos ativistas sob gritos de “genocida” e “assassino”. Um manifestante chegou a jogar água no secretário. Antes de sua saída, no entanto, indagado por jornalistas se esta foi a primeira vez que a secretaria foi ocupada, o secretário respondeu que foi “a primeira e a última vez”.

Após a saída da secretaria, os manifestantes prometeram voltar ao local na próxima quinta-feira (17), no mesmo horário. “Nós saímos [da secretaria] porque a ideia aqui era chamar a atenção da sociedade brasileira para que o está acontecendo em São Paulo”, disse Douglas Belchior, da Uneafro-Brasil. “O secretário combinou com a gente que receberia uma comissão, a gente estava discutindo isso com o coletivo e, enquanto a gente discutia, ele resolveu sair por conta própria colocando em risco todo mundo”, acrescentou.

Segundo ele, o ato de hoje foi convocado por diversas organizações com a “tarefa de não deixar passar literalmente em branco ou batido" o caso dos jovens. "Estamos vivendo um recrudescimento, um aumento da violência policial aqui em São Paulo”, falou ele à reportagem. “Queremos chamar a atenção para esse genocídio porque a polícia mata muito e só mata pobre e preto”, disse.