10 de julho de 2026
Polícia

Mulher morre estrangulada em Bauru; confira a entrevista com assassino

Marcus Liborio
| Tempo de leitura: 3 min

Fotos: Divulgação
Alexander Dias foi preso em flagrante e responderá por feminicídio 
Maristela Nicolau tinha 57 anos

Após sair, nesta semana, a primeira condenação por feminicídio em Bauru, outro crime deste tipo foi registrado na cidade. Maristela Nicolau, de 57 anos, acabou morta pelo companheiro Alexander Aparecido Celidonio Dias, 41 anos, durante uma briga ocorrida na madrugada dessa sexta-feira (11), no barraco onde o casal vivia, no Parque Vista Alegre.

O corpo dela foi encontrado com hematomas no rosto, tórax, braços e abdômen. No final da tarde, a Polícia Civil confirmou que o laudo preliminar aponta que ela foi morta por estrangulamento. À reportagem, o acusado confessou ter praticado as agressões e disse que os dois estavam alcoolizados. Contou, ainda, ter arrastado a mulher pelo imóvel sob a alegação de que ela havia caído sozinha no quintal.

De manhã, ao perceber que Maristela havia morrido, deu a notícia a um dos filhos dela e deixou o barraco como se nada tivesse acontecido, relatou a PM. O Samu foi acionado e constatou a morte no local. Alexander foi preso por policiais militares a 200 metros de onde ocorreu o crime, na quadra 7 da alameda dos Miosotes.

Na Central de Polícia Judiciária (CPJ), o delegado Luiz Cláudio Massa o autuou em flagrante por feminicídio com as qualificadoras de motivo fútil e também baseado na convivência dos dois, que moravam juntos há quase sete anos. Ele foi recolhido à Cadeia de Avaí.

“Poderíamos até levar em consideração a queda da mulher, conforme o acusado relatou. Porém, as lesões não são só na cabeça. Ela também apresentava hematomas no rosto, tórax, braço, indicando que, de fato, houve a briga”, ressalta Massa.

“Em princípio, acreditamos que o óbito se deu realmente em razão das agressões sofridas pela vítima”, complementa o delegado. No final da tarde, o laudo preliminar apontou que a causa da morte foi estrangulamento.

BRIGAS FREQUENTES

Ainda de acordo com Massa, as brigas entre o casal aconteciam com frequência. “Os vizinhos relatam que havia discussões diárias, mas ninguém dava muita importância porque eles sempre saíam juntos de manhã para trabalhar na reciclagem”, disse.

‘Ela não respondia’

Jornal da Cidade: Por que vocês brigaram?
Alexander Dias: Besteira. Coisa à toa.

JC: Você estava alcoolizado?
Alexander: Eu e ela tínhamos tomado pinga.

JC: O que aconteceu depois? Bateu nela?
Alexander: Não bati.

JC: Mas, para a PM, você disse que se agrediram...
Alexander: Mas não para machucar. Dei socos no braço...

JC: E como ela morreu então?
Alexander: De madrugada, ela pediu para ir urinar lá fora. Eu a levei e ela caiu no meio do quintal. Levei ela de volta pra dentro e nós dormimos. Quando eu levantei de manhã para ir trabalhar, fui chacoalhar ela no chão, mas ela não respondia.

JC: Mas você a deixou no chão?
Alexander: Ela caiu de novo durante a noite e eu não vi.

JC: Por que você não acionou o socorro?
Alexander: Eu corri na casa dos filhos dela e avisei.

JC: Você acredita que a morte dela se deu por conta das agressões?
Alexander: Não.

JC: Mas ela tinha hematomas no rosto, tórax...
Alexander: Foi por causa do tombo dela.

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