| Francisco Carlos Ferreira |
| Lewis Hamilton larga lado a lado do companheiro de equipe Nico Rosberg, às 14 horas em Interlagos |
A pole position obtida nesse sábado (12) para o GP do Brasil de Fórmula 1, em Interlagos, neste domingo (13), tranquilizou o inglês Lewis Hamilton. O piloto da Mercedes, que tenta adiar o título do colega de equipe, Nico Rosberg, afirmou estar otimista para a primeira vitória na pista e relembrou ter uma ligação com o autódromo desde os tempos de criança, quando costumava jogar videogame.
Com o tempo de 1min10s736, o inglês superou o alemão, líder do campeonato com 19 pontos de vantagem, e aumentou a confiança em ganhar a prova e deixar a definição do título para a etapa final, em Abu Dabi. “É a minha segunda pole aqui (2012 foi a outra). Tenho sempre me esforçado para ganhar em Interlagos, então é um prazer conseguir largar na primeira posição”, comentou na entrevista coletiva.
Hamilton foi o mais rápido em duas das três sessões de treinos livres. As duas últimas etapas da temporada, Estados Unidos e México, foram vencidas pelo tricampeão, que gosta do Brasil por ser a terra natal do seu ídolo de infância, Ayrton Senna. “Sempre é especial estar aqui, lembro do Senna. É uma pista com muita história, conta com um traçado fantástico e tem uma torcida fanática”, afirmou.
A pole em uma corrida tão decisiva, já que a vitória de Rosberg confirma o título, deixou Hamilton à vontade na entrevista para relembrar da infância, quando costumava pilotar em Interlagos no videogame. “Sempre que eu jogava, lembro que a corrida no Brasil era logo a primeira da temporada. Gostava muito de pilotar aqui nos jogos virtuais”, contou.
O GP do Brasil está no calendário desde 1973. Até 2003 a pista era uma das primeiras etapas da temporada, até migrar para o fim do calendário em 2004.
Na largada
Nico Rosberg perdeu a primeira batalha para Lewis Hamilton no Brasil no treino classificatório. Mas não pretende sofrer nova derrota neste domingo (13). Largando em segundo no grid do GP do Brasil de Fórmula 1, o piloto alemão prometeu ultrapassar o rival inglês, e companheiro de equipe Mercedes, logo na largada, rumo ao triunfo no autódromo de Interlagos.
Se vencer a corrida deste domingo, Rosberg vai conquistar o título do Mundial de Pilotos com uma etapa de antecedência - o campeonato só terminará em Abu Dabi, daqui a duas semanas. Caso chegue em segundo ou em outras posições menos favoráveis, ainda terá chances de sacramentar a conquista, dependendo da posição de Hamilton nesta prova brasileira.
O alemão, no entanto, não quer depender do resultado do rival. Para tanto, promete uma postura agressiva já na largada. “Quero tentar ultrapassar Lewis antes da curva 1, que é muito estreita aqui e será difícil ultrapassar”, avisou Rosberg, ciente das dificuldades impostas pelo “S do Senna”, o primeiro “obstáculo” dos pilotos após a largada.
Rosberg se destacou no treino classificatório, porém sem conseguir alcançar Hamilton. O alemão registrou o tempo de 1min10s838, contra 1min10s736 do inglês. “Foi um treino empolgante. Minha volta foi rápida, mas não o suficiente”, avaliou o líder.
Em Interlagos, Felipe Massa desfruta as homenagens na despedida da Fórmula 1
| Estadão Conteúdo |
| O piloto brasileiro larga na 13ª posição em seu último GP Brasil na F-1 |
Felipe Massa vai encerrar neste domingo (13) um longo ciclo no autódromo de Interlagos. Trata-se de uma trajetória que não se resume aos seus 15 anos de Fórmula 1. Afinal, sua ligação com a categoria começou ainda na infância, quando se acomodava nas arquibancadas do circuito paulistano para torcer por Nelson Piquet e Ayrton Senna.
“Interlagos é o lugar onde eu cresci, onde ficava na arquibancada para apoiar o Nelson e o Ayrton, sempre sonhando em estar lá. E, então, eu consegui chegar aqui”, disse o piloto de 35 anos, já saudoso da sua história na Fórmula 1. Não por acaso. Faltam apenas duas corridas para Massa se aposentar da categoria, daqui a duas semanas, em Abu Dabi, nos Emirados Árabes Unidos.
Enquanto a corrida final não chega, o brasileiro saboreia homenagens no paddock. Na maior delas, que dá ideia do seu prestígio na Williams, ele terá o privilégio de correr neste domingo com seu nome escrito em letras garrafais na carenagem do carro. Vai substituir a referência à marca Martini, empresa de bebida alcoólica que é o principal patrocinador do time.
“Trocar o nome do patrocinador pelo do piloto? É uma surpresa incrível, acho que isso nunca aconteceu”, disse o brasileiro. “É uma emoção e, sem dúvida, uma demonstração de carinho muito grande”. A Williams ainda estampou a palavra “obrigado” no aerofólio traseiro do carro de Massa.
A homenagem se somou às palavras de amizade dos rivais no grid. “Foi uma ótima experiência pilotar ao lado e contra Felipe nestes anos. Tivemos grandes momentos”, disse o inglês Lewis Hamilton, um dos principais rivais do brasileiro. “Antes mesmo da F-1, ainda na GP2, nos tornamos amigos e já tivemos boas experiências”, lembrou o tricampeão.
“Nem precisamos falar sobre o seu talento. Acho que não há dúvidas quanto a isso”, afirmou o alemão Sebastian Vettel, da Ferrari. “Além disso, ele é uma grande pessoa. É o tipo que você olha e parece que está sorrindo porque está sorrindo por dentro. Todos sentirão sua falta aqui”, comentou o tetracampeão.
Melhor amigo de Massa no circuito, o australiano Daniel Ricciardo prevê uma corrida de muitas emoções em Interlagos. “Ele receberá ainda mais amor neste fim de semana. Os fãs estarão gritando das arquibancadas. A atmosfera é ótima, acho que teremos um público incrível”, disse o piloto da Red Bull, que mora no mesmo prédio de Massa em Mônaco.
FUTURO
Vice-campeão da Fórmula 1 em 2008, Massa ainda não definiu o seu futuro. Negocia com três categorias bem diferentes: a Fórmula E, de carros elétricos; o Mundial de Endurance; e o DTM, campeonato de carros de turismo da Alemanha.
A decisão, porém, não tem prazo. “Não estou com muita pressa para decidir. Já tive muita pressa na minha carreira e agora vou decidir com tranquilidade”, avisou o piloto. “Talvez até o final do ano ou começo do ano que vem eu encontre o caminho certo”, afirmou.
Ele também estuda a possibilidade de ser comentarista de uma emissora de TV estrangeira, mas não durante toda a temporada.