09 de julho de 2026
Internacional

Apesar de Trump, Obama admite continuidade em política externa


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Washington - Em sua primeira entrevista coletiva após a eleição que entregou a Casa Branca a Donald Trump, o presidente Barack Obama disse ontem que acredita em "continuidade" em alguns temas cruciais de política externa, apesar das promessas do rival de apagar boa parte de seu legado. "Há enorme continuidade e é isso o que nos torna uma nação indispensável para manter a ordem e promover a prosperidade no mundo", disse Obama, que elogiou o "interesse" demonstrado por Trump em que a transição seja suave.

Obama concedeu a entrevista na Casa Branca pouco antes de embarcar para a última viagem ao Exterior de seu mandato, que incluirá Grécia, Alemanha e Peru. Em Berlim, ele se reunirá com os líderes de Alemanha, França, Itália, Reino Unido e Espanha. Quando a viagem foi planejada, meses atrás, a ideia era assegurar aos aliados europeus o apoio dos EUA à unificação européia, abalada depois do referendo que determinou a saída do Reino Unido da União Europeia. Mas a inesperada vitória de Donald Trump na eleição presidencial deve dominar as conversas. Entre as principais preocupações dos líderes europeus estão as críticas de Trump à Otan (aliança militar do Ocidente) e sua admiração pelo presidente da Rússia, Vladimir Putin.

Na entrevista desta segunda, o presidente disse que um dos principais objetivos da viagem será assegurar o compromisso americano com a aliança transatlântica, "que não é boa só para a Europa, mas também é boa para os EUA e vital para o mundo". O presidente eleito, por sua vez, deixou de lado os ataques a Obama e disse que esperava tê-lo como conselheiro. A relativa distensão não apagou as profundas diferenças entre o atual e o próximo presidentes em diversos temas.

Obama contou que ficou surpreso com a "cordialidade" da conversa que teve com Trump e disse esperar que ele use alguns dos "óbvios talentos"que o levaram à Casa Branca em benefício dos americanos.

Mas não escondeu sua preocupação com as consequências da retórica agressiva usada pelo republicano na campanha e ressaltou a importância de o novo presidente esforçar-se para unir um país profundamente dividido.