10 de julho de 2026
Regional

MP denuncia 16 por fraude em concurso da Câmara de Mineiros

Lilian Grasiela
| Tempo de leitura: 3 min

Divulgação
MP denunciou 16 pessoas por suposta fraude em concurso da Câmara de Mineiros do Tietê

Mineiros do Tietê - O Ministério Público (MP) de Jaú ofereceu denúncia contra 16 pessoas suspeitas de fraudar concurso público da Câmara de Mineiros do Tietê (65 quilômetros de Bauru) com o objetivo de beneficiar pessoas escolhidas por um ex-presidente da Casa. Entre os denunciados, estão o vereador, ex-funcionária, candidatos, empresários e até "laranjas".

As supostas irregularidades envolvendo o concurso realizado em dezembro de 2014 para o preenchimento de seis vagas em cinco cargos, entre assistentes, diretor e zelador, foram denunciadas à Promotoria pelos vereadores Edileuza Patrícia Ferreira Vianna (atual presidente da Câmara), Pedro Gustavo Reale, Átila Colognesi Louzada e Aparecida Roselena Rossi.

No início de 2015, com base nas evidências de fraude, o concurso foi suspenso pela Justiça a pedido do MP. Após quase dois anos de investigações, o promotor Rogério Rocco Magalhães apurou que as vagas foram direcionadas a cinco candidatos escolhidos pelo então presidente Fernando Ronchezi e por uma contadora que prestava serviços à Câmara.

Segundo Rocco, não houve licitação para a contratação da empresa que realizou o processo de seleção. Representantes de outras duas empresas que, supostamente, teriam apresentado orçamentos durante pesquisa de preços também foram denunciados. "Apurou-se que todos os beneficiados sabiam que seriam aprovados de qualquer maneira", declara.

O promotor revela que, além da manipulação do resultado, quatro "candidatos laranjas" ou "pseudo-candidatos" (pessoas que, em troca de algum favor, fazem a prova, são aprovados e, após algum tempo, desistem do cargo para que escolhidos assumam) participaram do esquema. Três deles, inclusive, nem teriam feito a prova, mas foram aprovados.

De acordo com ele, entre os documentos apreendidos pelo MP que comprovariam a fraude, estão listas com a classificação final original dos candidatos e alterações de posição dos "beneficiados" feitas à caneta; folhas de respostas (gabaritos) duplicadas de duas das escolhidas, com assinaturas comprovadas por exame grafotécnico, e listas que confirmariam a ausência à prova de candidatos aprovados.

Se a Justiça de Jaú receber a denúncia, o que não havia ocorrido até a tarde de ontem, os 16 suspeitos responderão por estelionato. Além disso, sete deles poderão ser processados por associação criminosa. Eles também serão acionados pela Promotoria na esfera civil por ato de improbidade administrativa.

Megaoperação 'Q.I.'

A investigação da denúncia de fraude no concurso da Câmara de Mineiros do Tietê, iniciada pelo MP de Jaú, resultou, em 16 de junho de 2015, na megaoperação "Q.I.", comandada pelo Núcleo de Ribeirão Preto do Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco), que desarticulou organização criminosa que atuava em todo o Estado. Segundo o Gaeco, as fraudes envolviam empresa de Ribeirão Preto contratada para fazer o concurso em Mineiros do Tietê e podem ter chegado a R$ 2 milhões em dois anos.

Vereador nega fraude

O ex-presidente da Câmara de Mineiros do Tietê Fernando Ronchezi nega participação em qualquer tipo de fraude em concurso público visando beneficiar pessoas escolhidas por ele. "Em relação a esse fato que ocorreu lá, eu não tenho envolvimento nenhum", diz. "Durante as oitivas na fase de inquérito, eu esclareci a forma que ocorreu o concurso na Câmara". Ele disse, ainda, que não teve conhecimento da denúncia oferecida pelo MP e que, se ela for aceita pela Justiça, irá prestar os esclarecimentos necessários.