11 de julho de 2026
Internacional

Oposição da Colômbia rejeita um novo acordo de paz com as Farc


| Tempo de leitura: 2 min

Cidade do México  - Depois de ter deixado o governo colombiano esperando por oito dias sobre qual era sua posição oficial com relação ao novo acordo de paz elaborado pelos negociadores do Estado e das Farc (Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia), o Centro Democrático, partido do ex-presidente Álvaro Uribe, principal defensor do "não", resolveu se pronunciar contra o tratado.

Depois de uma reunião com representantes do governo, liderados pelo presidente Juan Manuel Santos, prêmio Nobel da Paz, deste ano,  os uribistas disseram ainda não estar satisfeitos com a nova versão do documento, que acolheu algumas de suas sugestões, mas não tocou em pontos por eles considerados essenciais, como o impedimento da elegibilidade política dos ex-guerrilheiros, que permaneceu praticamente intacta, e o requisito de que os condenados cumprissem suas penas em algum tipo de prisão, senão numa comum, em colônias agrícolas.

Também ficaram as divergências com relação a como enquadrar o crime do narcotráfico. Governo e Farc consideram que os casos poderiam ser tratados caso a caso, enquanto os do "não" querem que seja considerado crime de lesa humanidade, portanto não-anistiável.

Durante o período de renegociação, após a rejeição do acordo em plebiscito popular, no último dia 2 de outubro, as Farc aceitaram algumas das mudanças propostas pelo grupo do "não" com relação à Justiça, colocando limites na atuação dos tribunais especiais, e com relação a oferecer um completo inventário de seus bens.

Porém, a guerrilha disse não abrir mão da possibilidade de concorrer a eleições e reafirmou que não querem ir à cadeia. Esses dois pontos não foram renegociados.

RENEGOCIAÇÃO

"Este novo acordo é apenas um retoque ao acordo que foi recusado pelos cidadãos", declarou o Centro Democrático em um comunicado.

O ex-presidente Uribe, então, apresentou ontem, uma nova proposta: quer dialogar diretamente com a guerrilha. De fato, o líder máximo da guerrilha, Rodrigo "Timochenko" Londoño, se encontra na capital colombiana, porém, o governo esperava que sua presença se limitasse apenas a participar de uma festiva nova assinatura de acordo. Mas, por meio de seu porta-voz, Ricardo Téllez, as Farc se opuseram à ideia de conversar diretamente com os uribistas.

O projeto do governo agora é seguir com o plano inicial: apresentar o texto ao parlamento e então decidir como será referendado, ou por meio de uma votação no Congresso ou por decreto presidencial.

PRESIDENTE

SEM CÂNCER

O anúncio dos uribistas aconteceu no mesmo dia em que o presidente Juan Manuel Santos anunciou que exames mostraram que ele não tem câncer. Ele foi aos EUA para verificar aumento de antígeno prostático. O presidente colombiano, no entanto, terá de tomar remédio e fará radioterapia preventiva, anunciou a equipe médica.