09 de julho de 2026
Nacional

União e Estados fazem acordo e a multa da repatriação será dividida


| Tempo de leitura: 2 min

Brasília - Após diversas tentativas, a União concordou em repartir com Estados os R$ 5 bilhões de receitas obtidas este ano com a multa do programa de repatriação de recursos enviados ilegalmente ao exterior. Mas, em contrapartida, os governadores se comprometeram com um forte ajuste fiscal próprio.

Entre as medidas que os Estados se propuseram a fazer estão uma reforma nas suas previdências, com a elevação da alíquota de contribuição de servidores ativos e inativos para 14% - que deve tramitar junto com a reforma previdenciária federal. Também vão elaborar, com a ajuda do Tesouro Nacional, um projeto para limitar seus gastos, que deve ser apresentado na semana que vem ao ministro da Fazenda, Henrique Meirelles, e reduzir gastos com cargos comissionados. "Os Estados vão apresentar medidas adequadas a cada um deles, mas não vão se incorporar à PEC do teto de gastos da União", disse Meirelles, sinalizando que a limitação das despesas estaduais deve levar 20 anos.

"Os governadores fizeram muita questão de dizer isso: não estão fazendo isso só para receber parte da multa da repatriação. Estão fazendo isso porque acreditam que o programa de austeridade fiscal é necessário para os Estados não chegarem na mesma situação do Rio", disse Meirelles quando questionado se não eram contrapartidas demais dos Estados para pouca ajuda da União.

A liberação da multa da repatriação deve dar oxigênio às finanças estaduais para o pagamento do 13.º salário, principalmente aos Estados das regiões Norte e Nordeste, que detêm maior fatia no Fundo de Participação dos Estados (FPE). O governador do Rio, Luiz Fernando Pezão, reconheceu, no entanto, que o dinheiro da repatriação pouco faz diferença para o governo fluminense, que decretou calamidade financeira e espera um déficit superior a R$ 17 bilhões só neste ano.

No caso da divisão do imposto de renda da repatriação, a parcela que coube ao Rio foi cerca de R$ 88 milhões. "Os recursos da repatriação não resolvem. Nosso problema é estrutural", afirmou. "O valor das multas da repatriação só será transferido após a formatação do texto do acordo de ajuste fiscal dos Estados", afirmou, porém, Meirelles. "Queremos ver alguns processos já encaminhados. Na medida em que o acordo estiver sendo cumprido, iremos sim programar e executar essa liberação das multas", completou. Participaram da reunião, além dos governadores e do ministro da Fazenda, o presidente, Michel Temer, e os presidentes da Câmara, Rodrigo Maia, e do Senado, Renan Calheiros.