08 de julho de 2026
Política

Itens faltam e merenda tem de ser improvisada

Tisa Moaraes
| Tempo de leitura: 3 min

Problemas em licitações e com fornecedores estão levando à falta de alguns itens da merenda em escolas municipais e estaduais de Bauru. Entre os produtos que tiveram descontinuidade na oferta, estão sal, vinagre, molho de tomate, macarrão e leite em pó.

Segundo a Secretaria Municipal de Educação, nenhum aluno ficou ou ficará sem se alimentar, já que os itens, quando faltam, são substituídos no cardápio. Mas fontes ouvidas pelo Jornal da Cidade garantem que a Associação de Pais e Mestres (APM) das escolas e até mesmo diretores têm ajudado a custear as refeições nas unidades.

A secretaria é, hoje, responsável por fornecer merenda a cerca de 200 escolas, incluindo as estaduais, que recebem os alimentos por meio de convênio, em que o Estado repassa recursos para o município. Segundo a titular da Educação no município, Vera Casério, a falta destes produtos, que são adquiridos em atas de registro de preço diferentes, foi provocada por fatores diversos.

Entre eles, está o fim da validade dos atuais contratos com fornecedores e a inesperada demora para concluir novas licitações, o atraso na entrega de mercadorias por parte das empresas ou, ainda, a entrega de itens com especificações diferentes das exigidas em edital. "Mas, durante o período de desabastecimento, o molho de tomate, por exemplo, foi substituído por tomate. Já no lugar do vinagre, usamos limão e o macarrão parafuso, até então utilizado, por um outro tipo de macarrão", detalha.

Conforme o JC apurou, o problema se intensificou logo no início do segundo semestre deste ano e, até agora, não foi completamente resolvido. As escolas teriam chegado a ficar sem sal durante um mês inteiro e a previsão, segundo funcionários que preferiram não se identificar, é de que volte a faltar leite em pó até o final do ano.

Vera garante, contudo, que as unidades não chegaram a ficar sem o item que, devido ao baixo estoque existente, está sendo distribuído de acordo com a demanda semanal ou quinzenal e não mais do mês.

'VAQUINHA'

Funcionários, porém, relatam que, na maioria das escolas, diretoras ou a APM chegaram a comprar itens que faltaram, como sal e leite. "Desde a volta as aulas, neste segundo semestre, a situação está assim. O que é reposto não atende a demanda da escola para a semana. É algo recorrente", reclama uma servidora.

Ela, assim como outra profissional, também critica a qualidade com que algumas frutas, como banana e maçã, chegaram às escolas e nem mesmo puderam ser servidas aos alunos. Além de relatar que alguns itens essenciais foram comprados com recursos da APM ou da própria diretora, esta funcionária acrescenta que, devido à crise, muitos alimentos acabaram sendo cortados do cardápio.

"Até o ano passado, por exemplo, eram servidos sucos de caixinha, o que não ocorre mais. Então, quando falta leite, o aluno fica sem nenhum líquido. E, pelo que soubemos, leite não vai vir mais até o fim deste ano", diz.

Procurados pela reportagem, pais e alunos demonstraram uma percepção apenas parcial sobre o problema. Ouvidos pela reportagem, alguns citaram apenas a ausência de frutas em alguns dias da semana.