10 de julho de 2026
Nacional

Júri do caso Yoki foca convívio familiar


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São Paulo - O primeiro dia do júri de Elize Matsunaga, acusada de matar e esquartejar o marido, foi marcado por choro da ré, bate-boca entre defesa e acusação, além de um depoimento incompleto, após uma das três testemunhas ouvidas dizer ter medo de Elize e passar mal. Ela é julgada pelo homicídio de Marcos Kitano Matsunaga, herdeiro da Yoki, em maio de 2012.

Sentada à direita dos seus advogados, ela chorou antes mesmo da entrada da primeira testemunha no plenário. Entre os dedos agitados, segurava um lenço, que foi usado para enxugar as suas lágrimas em pelo menos cinco oportunidades. A ré chegou ao Fórum Criminal da Barra Funda na manhã de ontem e vestia um terninho preto, camisa azul e sapatilhas. O cabelo loiro, mal amarrado, caía sobre o ombro direito. Nervosa, bebeu água com açúcar antes de os jurados terminarem a leitura das peças.

A babá Amonir Hercília dos Santos foi a primeira testemunha chamada, às 12h33. Ela trabalhou por cerca de dois meses no apartamento dos Matsunaga e cuidava da filha do casal aos fins de semana, de quinze em quinze dias. Para as partes, a Amonir é considerada uma testemunha importante porque esteve no triplex do casal na manhã seguinte ao crime, que aconteceu no dia 19 de maio. Segundo as investigações, ela cuidou da filha dos Matsunaga no momento em que Elize esquartejava o marido em um quarto de baixo. Aos jurados, a babá disse que, no dia, Elize não demonstrou comportamento anormal. "Ela me recebeu de pijama, era um dia de trabalho como outro", disse.

SERRA ELÉTRICA

A sessão foi retomada por volta das 15h30, depois da pausa para o almoço, com a testemunha Mauriceia José Gonçalves dos Santos, a babá fixa da criança e mãe de Amonir. Foi ela quem acompanhou Elize na viagem ao Paraná, que, segundo a acusação, teria sido planejada pela ré para flagrar a traição do marido, que ficou em São Paulo. Mauriceia confirmou que, durante a viagem, Elize trocou telefonemas com o detetive particular Willian Coelho de Oliveira, que filmou a infidelidade de Marcos. Foi a babá que confirmou que, na volta, Elize parou em um armazém para comprar uma serra elétrica.

O depoimento foi prestado sem a presença de Elize, a pedido da testemunha. "Fiquei com medo porque ela deve achar ruim eu ter falado da serra."

A babá passou mal durante o depoimento e precisou receber atendimento médico. Na volta dela ao plenário, houve bate-boca entre a defesa, que reclamou das interrupções do promotor, e acusação. "Gente minha não serra os outros em pedaços", disse Cosenzo. "Você precisa respeitar o direito de ampla defesa", rebateu a advogada Roselle Roglio.

Apesar de não entrar em detalhes sobre a intimidade do casal, as babás serviram para explorar a relação entre Elize e Marcos, além da relação da ré na época em que o marido era dado como desaparecido. Elize demonstrava certa frieza. Já a defesa afirmou que o relato demonstra que Elize era vítima de violência e humilhação pelo marido, e cometeu o crime em um momento de calor.

A última testemunha ouvida foi o detetive Oliveira, contratado por Elize para seguir o marido na viagem dela ao Paraná. Ele filmou a traição de Marcos, flagrado em companhia de uma morena em dois restaurantes e em um flat. "Avisei tudo a ela em tempo real" disse. A ré voltou a chorar neste momento. O julgamento será retomado hoje, às 9h, ainda com testemunhas de acusação. A expectativa é do depoimento de Mauro Kitano Matsunaga, irmão da vítima.