Desde 1959, as forças imperialistas coordenaram-se contra o povo cubano, desencadeando-se sobre mim sua repulsa. Acusam-me, insultam-me, agridem-me, mentem, e não me dão direito de defesa. Querem a nossa submissão. Necessitam refrear minha voz, meu exemplo, minha resistência, para que eu não continue a ser o contraponto constrangedor, com minhas convicções e meus atos. Sigo o destino que a história me impôs. Depois da dominação, espoliação e humilhação dos grupos econômicos e financeiros do imperialismo, fiz-me chefe de uma revolução e venci. Iniciei o trabalho de emancipação e libertação de meu povo e instaurei um regime de socialização de educação e saúde, hoje exemplo mundial.
A campanha subterrânea de odiosidade de grupos internacionais liderados pelos ianques aliou-se à velha casta elitista que se revoltaram com o fim seus privilégios. Tentaram dezenas de vezes me matarem. Não conseguiram. Impuseram um criminoso embarco econômico contra o humilde povo do meu país. Resistimos e não nos ajoelhamos.
Não querem respeitar a soberania cubana, não querem admitir o nosso exemplo, não querem reconhecer seus crimes contra nós. Assumi o comando de um país pobre explorado, espoliado e desrespeitado. Expulsei os parasitas e gigolôs imperialistas e pus fim aos seus negócios imorais. E, desde então, tenho lutado dia a dia, mês a mês, ano a ano, década a década, resistindo a uma pressão desumana de Washington e seus locatários.
Não me calei! Fiz-me ouvir em todos os cantos do mundo e virei referência aos que ousam sonhar com a liberdade e a revolução. Provoquei os que me combatem a dizer porque suas crianças dormem na rua, ao passo que nenhuma criança cubana tem esse triste destino de abandono e descaso. Desafiei os interesses inconfessáveis de meus inimigos e auxiliei inúmeros países exportando médicos, conhecimento e solidariedade aos necessitados.
Odiado pelos gananciosos e bárbaros, recebo o amor de meu povo, e de meus companheiros de utopias. Tive o prazer de ter servido ao meu povo e de ter em minha existência a companhia de homens como Che Guevara - síntese da fraternidade e combatividade libertária-, dentre outros camaradas obstinados pela causa. Deixo como legado ao meu povo, a consciência de que não sejam mais vilipendiados, explorados ou humilhados. Minha vivência nos manteve e manterá unida a nossa luta, a nossa bandeira e nossa sagrada vibração para a resistência.
Ao ódio, repondo como meus feitos. Aos que pensam que me derrotaram, respondo com a vitória de meu povo. Fui escravo de um sonho e hoje me liberto para a vida eterna. Meu sacrifício e minhas lutas ficarão para sempre cravados na alma de Cuba e de seus admiradores. Pelejei a boa luta, guerreei em todas as frentes, encarei as forças mais poderosas do mundo. Não dei aos meus adversários o gosto de me verem capitular ou de me curvar. Nada receio.
Tranquilamente dou o primeiro passo no caminho da eternidade e saio da vida para entrar na História.