10 de julho de 2026
Geral

Fim de ano: festas municipais não terão fogos

Tisa Moraes
| Tempo de leitura: 2 min

Samantha Ciuffa
Segundo Thaís Viotto, animais podem até mesmo morrer 

por conta do estresse provocado pelos fogos de artifício

Eder Azevedo/JC Imagens
Sandra Ariede, presidente da SOS Gatinhos, com a pequena Lua

Pela primeira vez, os eventos públicos de fim de ano realizados pela prefeitura não contarão com o uso de fogos de artifício. No ano passado, a Câmara Municipal já havia aprovado uma lei para proibir a soltura de explosivos sonoros. Agora, nem mesmo o show pirotécnico silencioso será permitido.

A mudança, proposta pelo então vereador e agora secretário municipal do Desenvolvimento Econômico, Renato Purini, entrou em vigor em maio deste ano. Embora sigam indefinidas a programação das festividades municipais para o Réveillon, que normalmente ocorrem no Parque Vitória Régia, a única certeza, até o momento, é de que os efeitos luminosos para colorir o céu ficarão de fora da comemoração.

Embora o uso de fogos seja uma tradição apreciada por muitas pessoas, ONGs ligadas à proteção animal comemoram a iniciativa e apelam para que a população adote a mesma medida. Presidente Comissão de Defesa e Proteção Animal da OAB e do Conselho Municipal de Proteção e Defesa dos Animais (Comupda), Thaís Viotto explica que muitos animais podem até mesmo morrer em decorrência do estresse provocado por este tipo de brincadeira.

Segundo ela, os pets mais idosos e que tenham medo do som provocado pelos explosivos correm risco de convulsionar ou até mesmo infartar. “Mas fazemos este apelo não somente em prol dos animais, mas também de pessoas acamadas, com doenças neurológicas e recém-nascidos, que podem não entender o que está acontecendo e ter um sofrimento desnecessário, causado por esse tipo de barulho”, frisa.

Thaís lembra que os animais de vida livre também são penalizados. “No desespero, eles podem correr e ser atropelados, deixar o ninho com filhotes e não conseguir voltar mais, filhotes de aves podem cair e morrer. É algo dramático, que se repete ano a ano”, detalha.

O QUE FAZER?

Presidente da Associação Bauruense de Proteção Animal, conhecida como SOS Gatinhos, Sandra Ariede conta que já perdeu uma gata, que teve um mal súbito durante a queima de fogos de Réveillon.

Ela endossa o pedido de conscientização, mas, como a mudança de comportamento não deve ocorrer de uma hora para outra, orienta os tutores de animais a cuidarem de seus pets neste momento, que costuma ser traumático para muitos deles.

“A melhor saída é ficar junto dos bichinhos, tentando distraí-los com brincadeiras ou petiscos. É importante deixá-los, se possível, dentro de casa, com portas e janelas fechadas, para evitar que fujam para a rua devido ao estresse. Também vale ligar a televisão para camuflar o barulho”, ensina.

Para os animais que tendem a ficar mais apavorados, uma dica é colocar chumaços de algodão nos ouvidos, o que ajuda a abafar o som dos rojões. Em dezembro, a ONG fará uma campanha em suas redes sociais pedindo para que a população não use fogos de artifício neste fim de ano.