11 de julho de 2026
Articulistas

Fidel! Que falta fará ao mundo?

Luís Victorelli
| Tempo de leitura: 3 min

É justo creditar ao Século XX, período em que a maioria dos primeiros que leem este texto nasceu, como um dos mais emocionantes da História. Do homem à Lua à Carmem Miranda, da Internet aos filmes da Disney nada disso existiria como conhecemos se não fosse um mundo polarizado. Bipartido pelos principais vencedores do maior conflito global da História, pelo menos até o momento que rascunho isto, o mundo forjado por soviéticos e americanos após a Segunda Guerra emprestou da meteorologia a maior de suas invenções, a Guerra Fria. Mas não se iluda com a sensação térmica da palavra; fria porque a briga se dava, e ainda se dá com as devidas adaptações e inovações, na casa dos outros.


Com ogivas entre os dentes, russos e americanos por muitas e muitas vezes chegaram a bradar entre si a celebre frase: Preparar! Apontar! Mas na hora do fogo!!!... o alvo estava bem longe das casas e lares dos seus. África, Oriente Médio, Europa, Ásia foram alvejados cada um de uma forma, ou com todas as formas juntas. Da cultura à economia, da imprensa à propaganda, das religiões ou ausência delas, das promessas às ameaças, e, claro, com tiros e bombas também, vale tudo numa guerra. Não é?


Obviamente que a nossa América Latina, mesmo a escanteio das atenções prioritárias, não ficou de fora da mira geopolítica. E é aí que entram, por exemplo, personalidades simbólicas como Fidel Castro, Che Guevara e outras tantas menos glamourizadas, brasileiras inclusive. Com um mote misturando guerrilha e ternura, a pobre e pequena Cuba, à mercê de uma ditadura da época, é peça tomada por um dos lados, os comunistas.


Poderia ser nada demais numa guerra entre superpotências, perde-se aqui, ganha-se ali. E Cuba, o que era Cuba? Sem petróleo, sem ouro, sem riquezas visíveis... Nada tão assustador, não fosse um pequeno detalhe. A ilha, agora de Fidel, estava tão perto da mais poderosa nação (inimiga!) que a Humanidade já concebeu quanto Bauru está da vizinha Birigui. Os americanos ganham a guerra! A União das Repúblicas Socialistas Soviéticas (URSS) desaparece, e Cuba fica. O único país socialista do continente todo e um dos raros no mundo (nem se consegue contar nos dedos quantos comunistas sobraram) parece ter sobrevivido. Mas, o incômodo vizinho não impõe mais riscos? Sem padrinhos, nem armas e com um modelo de Estado vencido, que legado ficará de seu comandante máximo?


Para os amigos, um líder que deixa um dos mais altos índices de alfabetização do Planeta (99,8%), com a maior expectativa de vida do continente e índice zero de desnutrição infantil. Os inimigos dirão que o ditador suprimiu liberdades, perseguiu opositores e sufocou a democracia. Diante de extremos, destaco algo em especial que Fidel soube fazer melhor que ninguém: suas críticas ao capitalismo. Não que elas sirvam para derrubar ou substituir o sistema que combatia, já que seu modelo ideal de mundo sucumbiu, mas quem sabe suas palavras ácidas, e quase sempre extensas, poderão servir para aperfeiçoá-lo, equacioná-lo ou tão somente alertá-lo.


Um gigante, seja qual for, por mais qualidades que tenha, e os Estados Unidos possuem muitas, também tem defeitos que, até pela sua força e tamanho, naturalmente não são poucos. Mas, como um gigante é um gigante, quem teria a coragem de apontar essas tais falhas? Diante de muitas delas, os subordinados, por medo ou bajulação, aplaudirão.

     

Ah, que falta fazem nossos inimigos.


O autor é jornalista