| Jaime Saldarriaga/Reuters |
| Caixões com os corpos das vítimas são preparados para a viagem de volta ao Brasil, em Medellín |
Após muita espera dos familiares, nesse sábado (3) pela manhã será realizado o velório de 51 das 71 vítimas da tragédia ocorrida na Colômbia e que provocou a morte da maior parte da delegação da Chapecoense. O enterro deverá ocorrer no domingo (4), ainda sem horário definido. A celebração contará com a presença de nomes ilustres da política e do futebol.
Confirmaram presença no velório o presidente da República, Michel Temer, o técnico da seleção brasileira, Tite, e o presidente da Fifa, Gianni Infantino. Temer, entretanto, deve apenas participar de uma solenidade no aeroporto de Chapecó e não se dirigirá para a Arena Condá, local do velório. A diretoria da Chapecoense contou que ainda aguarda a confirmação de outros grandes nomes do futebol e artistas de todo o País.
A previsão inicial era de que o velório tivesse começo ao meio-dia de hoje, mas detalhes burocráticos retardaram a liberação dos corpos que estão na Colômbia. Os corpos deixarão a cidade de Medellín às 16h de hoje e pousarão em Chapecó na madrugada de sábado. O voo deve durar cerca de 12 horas. “Pela informação que recebemos o funeral deve ser feito no sábado (amanhã) pela manhã e, enfim, poderemos acabar com todo esse sofrimento”, disse o novo presidente do clube, Ivan Tozzo.
De acordo com o cronograma da Chapecoense, após os corpos chegarem a Arena Condá, os familiares das vítimas terão cerca de uma hora para a realização de uma cerimônia particular. Em seguida, todos terão acesso ao local. A organização espera receber cerca de 100 mil pessoas no estádio ao longo do velório.
Por questões de segurança, ao contrário a ideia inicial, os organizadores vão evitar que os torcedores entrem no gramado do estádio. Assim, os fãs ficarão apenas nas arquibancadas e só quem terá acesso ao campo serão os jornalistas, que ficarão distante dos caixões, e amigos e familiares próximos, que poderão passar pelo local e ter maior proximidade com as urnas. Após quatro horas de cerimonial, os corpos poderão ser liberados para as famílias levarem aos seus respectivos estados. Em Chapecó, devem ser enterradas 16 vítimas.
Avião que caiu fez outras quatro viagens no limite do seu combustível
Desde agosto, o avião Avro RJ85, da LaMia, fez outras quatro viagens em que quase chegou ao limite máximo de sua autonomia sem reabastecimento. Um desses voos durou apenas quatro minutos a menos do que o percurso encerrado em tragédia na madrugada de terça-feira (horário de Brasília), quando a aeronave caiu perto do aeroporto de Medellín, depois de o piloto emitir um alerta de falta de combustível à torre.
Os trechos em que o avião voou próximo de seu limite de combustível foram entre a Colômbia e a Bolívia, no sentido Medellín-Santa Cruz de La Sierra, em três ocasiões, e Cochabamba-Medellín. Desde o início do ano, há apenas um registro de percurso sem reabastecimento no sentido Santa Cruz-Medellín - justamente o do voo que terminou em tragédia, com a morte de 71 pessoas, entre jornalistas, tripulantes e atletas e dirigentes da Chapecoense, time que disputaria a final da Copa Sul-Americana com o colombiano Atlético Nacional.
O plano de voo feito na véspera do acidente mostra que o piloto subestimou o tempo do percurso entre Santa Cruz de La Sierra e Medellín. O registro indicou uma viagem de 4 horas e 22 minutos - performance nunca atingida pela LaMia. Em outros dois voos entre as duas cidades, o tempo da viagem foi próximo ao da que terminou em acidente. Em 22 de agosto e 29 de outubro, o avião fez o percurso em 4 horas e 28 minutos e 4 horas e 32 minutos, respectivamente. Em 28 de outubro, o trecho entre a cidade boliviana de Cochabamba e Medellín foi feito em 4 horas e 27 minutos.
O percurso máximo que o Avro RJ85 pode atingir, em quilômetros, depende do peso dos passageiros e de sua bagagem, além de condições meteorológicas. O fabricante, a empresa britânica BAE Systems, indica que o avião pode voar, no máximo, 2.965 km. A distância entre os aeroportos de Santa Cruz de La Sierra e Medellín é de aproximadamente 2.975 km, ou seja, pouco superior ao máximo recomendado pelo fabricante da aeronave. O que não está claro, e isso as investigações oficiais vão revelar, é se o modelo acidentado era “básico” ou tinha tanques extras de combustível, os chamados panniers. A eventual instalação desses tanques poderia estender a autonomia da aeronave em até 10%.
Presidente da Chape se revolta ao falar sobre causas do acidente
| Marcelo D. Sants/Framephoto/AE |
| Presidente da Chapecoense, Ivan Tozzo, se emociona durante entrevista coletiva, nessa quinta-feira (1) |
O presidente em exercício da Chapecoense, Ivan Tozzo, afirmou, nessa quinta-feira (1), que a queda da aeronave que transportava a equipe foi causada por uma imprudência do piloto Miguel Quiroga, morto no acidente. O mandatário afirmou estar revoltado com as informações que apontam que o avião caiu após sofrer uma pane seca por falta de combustível.
O acidente vitimou 71 pessoas no total, entre elas 19 jogadores e toda a comissão técnica da Chapecoense. “Não foi um problema do avião. Foi um problema de combustível. Foi um problema de pessoas que não pararam para abastecer”, afirmou Tozzo, em vídeo publicado pela BBC Brasil. “Põe imprudência nisso. Não posso nem imaginar o que uma pessoa dessa pode ter feito. Como o cara tem 3 mil quilômetros de autonomia com o avião sem margem de segurança?”, indagou.
Tozzo declarou que os advogados da Chapecoense se reunirão na segunda-feira para estudar a abertura de uma ação penal contra a companhia LaMia, proprietária da aeronave acidentada na Colômbia. O mandatário ressaltou que, no momento, a prioridade é amparar as famílias das vítimas. “Estou revoltado pelo que aconteceu. Todas essas vítimas por uma falha de uma companhia e de um piloto. Eu não tenho palavras para falar do que aconteceu agora”, disse.
Ameaçada, controladora de voo se defende: ‘Fiz o que era possível’
Yaneth Molina sofre ameaças e não para de chorar desde a queda do avião da Chapecoense. Ela é uma das pessoas mais comentadas nos últimos dias. Responsável por conversar com o piloto Miguel Quiroga, da LaMia, minutos antes da queda da aeronave que vitimou 71 pessoas, incluindo a delegação do time brasileiro, que estava a caminho de Medellín, onde enfrentaria o Atlético Nacional na partida de ida da final da Copa Sul-Americana, a controladora admitiu estar sofrendo com a tragédia. Em carta divulgada pela TV Caracol, ela disse que fez o possível para ajudar a tripulação e os passageiros do voo.
“Por minha família e por esse trabalho que valorizo e respeito, posso afirmar com absoluta certeza que, de minha parte, fiz o que era humanamente possível e o tecnicamente obrigatório para preservar a vida dos usuários de transporte aéreo. Lamentavelmente, os esforços foram insuficientes por razões que todos conhecem.”
Yaneth ordenou que o voo da LaMia esperasse um pouco mais antes de aterrissar, pois outra aeronave, da empresa Viva Colombia, estava com vazamento de combustível e precisava retornar ao aeroporto de Medellín com emergência. Ela lamentou a repercussão dos áudios divulgados e considera que os fatos foram distorcidos.
“Meus colegas jornalistas conseguiram que pessoas ignorantes e alheias a este ofício, sobretudo os que ignoram os procedimentos, ameacem a minha integridade física e minha tranquilidade pessoal. As quais estou analisando soluções a respeito de quais espero discutir com a direção da entidade”.
Atlético-MG não entrará em campo contra Chapecoense
O presidente do Atlético-MG, Daniel Nepomuceno, anunciou em entrevista coletiva na manhã dessa quinta-feira (1) que a equipe não irá viajar para Chapecó para a realização da última rodada do Campeonato Brasileiro. A atitude é em solidariedade ao acidente ocorrido com o time da Chapecoense, na Colômbia, que seria o adversário alvinegro no próximo dia 11 de dezembro. “Vim aqui somente informar que o Atlético-MG não irá jogar, não irá até Chapecó jogar a última partida. A gente acredita no esporte, a gente respeita a dor”.