09 de julho de 2026
Tribuna do Leitor

AS VIÚVAS DE FULGÊNCIO BATISTA

Henrique Matthiesen
| Tempo de leitura: 2 min

Muitos ignorantes comemoraram a morte de Fidel Castro, ação no mínimo deplorável, o regozijo funesto de profunda pobreza de espírito, esse tipo de atitude. Desconhecedores da história cubana acabam sendo rebaixados ao viuvismo de Fulgêncio Batista, ditador da pequena ilha, que aboliu a maior parte das liberdades políticas, acompadrado dos latifundiários abastados que possuíam as maiores plantações de açúcar. Administraram uma economia estagnada que cooperaram em aumentar o fosso entre os cubanos ricos e pobres.

Cada vez mais corrupto, seu governo repressivo, começou a se locupletar de forma sistemática com a exploração comercial de interesses em Cuba por meio de relações obscuras e imorais com drogas, jogo de azar e prostituição com mafiosos americanos. Foram as digitais do governo deposto por Fidel. Ao longo de seu governo, a ilha mudou radicalmente seu status ganhando importância no cenário internacional.

Primeiro por sua resistência ao imperialismo norte-americano que tem um inexorável histórico de intervenção à Soberania de inúmeros países, inclusive no Brasil, quando operacionalizou, juntamente com nossa elite, a derrubada do Presidente Constitucional João Goulart, assim como no Chile com Salvador Allende, Jacobo Árbenz na Guatemala, entre outros. Desprovido de paixões, obviamente a Revolução cometeu erros, mas os inúmeros órgãos mundiais e instituições como ONU, Unicef, Unesco, FAO constatam o que a grande mídia insiste em esconder.

Cuba tem o segundo melhor IDH da América Latina. Conforme o Banco Mundial, Cuba tem o melhor sistema educacional da América Latina. Segundo a OMS (Organização Mundial da Saúde), o sistema de saúde cubano é um 'modelo mundial'. A indústria biotecnológica do país é tão avançada que diversos estado-unidenses viajam para Cuba atrás de remédios e vacinas baratos e raros, que sequer existem nos EUA. Segundo estudo da ONU, Cuba é o 2º país menos violento da América Latina, com 4,2 homicídios por 100 mil habitantes.

Para efeito de comparação, esse índice chega a 25,2 por 100 mil habitantes no Brasil. A taxa de alfabetização na ilha chega a 99,9%. O país foi o único da América a registrar crescimento econômico nos últimos 21 anos, variando entre 1 e 12%.

Cuba é o único país da América Latina com 0% de desnutrição infantil. Possui o maior número de leitos por habitante (5,9 por 1000 habitantes) da América. O Brasil possui 2,4. A menor taxa de mortalidade infantil da América (5 para cada 1000 nascimentos). O Brasil chega a ter 19 crianças mortas a cada 1000 nascimentos. A taxa mais alta de médicos por habitante da América Latina, 1 para cada 160 habitantes. O Brasil 1 para cada 500 habitantes.

Isso não significa que devemos todos mudar para Cuba, nem tão pouco para Miami, apenas constatamos quanta ignorância se tem sobre temas que muitos insistem em falar.

Coisas de viúvas de Fulgêncio Batista, que nos fazem rir.