Quem governa está obrigado a ter confiança na superação das dificuldades. Os sinais preocupantes que o Brasil emite neste novembro - em que a recessão não cede e os níveis de confiança de consumidores e investidores caíram pela primeira vez desde maio - indicam que as nossas tarefas para retomar o crescimento ficaram maiores e sua execução é mais urgente. O Brasil não tem 12 milhões de desempregados apenas, tem outros 6 milhões de pessoas que desistiram de procurar emprego e mais 5 milhões em situação de subemprego. Há 60 milhões de consumidores inadimplentes. Já se estima que a retomada do emprego não virá antes do segundo semestre de 2017.
É muito ruim que neste momento não haja discurso de crescimento, só discurso de ajuste. E o ajuste que pode destravar o crescimento é o das macrorreformas previdenciária, trabalhista e tributária. É obrigatório fazer imediatamente a reforma da Previdência. Postergá-la agrava uma desconfiança que, por sua vez, alonga a espiral recessiva. A política de crescimento que pode reverter essa espiral tem alguns vetores, entre os quais exportações e investimento em infraestrutura. Temos de aproveitar a vantagem cambial e buscar no exterior a demanda forte que pode recuperar a indústria. O Brasil tem hoje 40% de sua capacidade produtiva ociosa. E, se internamente falta dinheiro para financiar as obras de infraestrutura, que geram competitividade e empregos, o dinheiro terá de vir do setor privado externo. Ele virá, desde que existam instâncias regulatórias e segurança jurídica para investimento.
Não existe crescimento sustentável sem responsabilidade fiscal. Não se trata de uma visão economicista de governo. É uma visão social. Os brasileiros precisam recuperar a confiança de que os impostos que elas pagam com muito sacrifício estão sendo bem empregados. Os brasileiros precisam do emprego, da segurança, dos serviços públicos prestados com qualidade, e os governos precisam fazer mais e melhor com menos dinheiro.
São Paulo tem experiência a oferecer em austeridade e gestão. Desde Mario Covas, o precursor da Lei de Responsabilidade Fiscal, o Estado mantém suas contas em dia. Em 2014, quando a atual crise começou a dar os primeiros sinais, cortamos despesas. Controlando o gasto e realocando investimentos, foi possível manter serviços, programas sociais, obras públicas e ainda fazer superávit. Essas medidas permitem que São Paulo, hoje, não só pague seus servidores em dia como promova ações que geram emprego e renda, mesmo em situação de queda de receita.