10 de julho de 2026
Articulistas

Nem só de arroz com salsicha viverá o estudante

Lucas Dias
| Tempo de leitura: 2 min

Educação é um assunto muito sério e dizem os mais antigos - e sábios - que é somente através dos estudos que um indivíduo alcança uma efetiva ascensão social.

Talvez eles tenham razão, pois, sabendo disso, o Estado brasileiro se nega covardemente a oferecer uma educação formal de qualidade, com o mortal receio de criar uma imensa leva de mulheres e homens críticos e bem sucedidos. Afinal, o que seriam dos ricos sem a exploração imoral aos mais pobres?

A escola, mesmo com todos os seus evidentes fracassos, é vítima de um sistema que somente a mantém para cumprimento de tabela.

É por isso, justamente, que estão querendo mudar a Constituição Federal com a PEC diabólica de redução de gastos - a educação são os ovos quentes que estão sendo chocados por um frango morto e congelado. E se eles eclodem?

Não é de interesse dos poderosos que se formem novos doutores, executivos ou especialistas, pois, quem mantém a porca gorda são os peões, boias-frias e operários.

O desmonte das palafitas da educação básica é um projeto repleto de maldades, é a expressão clara do terror, sim, o medo de uma classe-média em declínio que deseja carregar, junto a ela para o fundo do ostracismo, aqueles que, com muito sangue e suor, lutam diariamente pelo direito de simplesmente existir.

Educação é um assunto muito sério, mas nem só de arroz com salsicha viverá o estudante - e ele continua, fortemente, sobrevivendo. Nem só de bonificações corruptivas viverá o professor - que, pelas necessidades da vida, se vende por tão pouco, e nem só de medo viveremos nós, que adotamos os mais fantásticos sonhos e lutamos, constantemente, por uma educação melhor para o agora.

A educação padece numa mesa fria de cirurgia, seus sinais vitais estão cada vez mais distantes, e bem antes que ela morra, um belo e carnavalesco cortejo fúnebre está à sua espera. Dizem, por aí, que até o cardápio do buffet está montado.