O desastre da Chapecoense serviu para evidenciar certas nuances do comportamento dessa coisa (boa e ruim) chamada gente. Não sobrou, por exemplo, adjetivo para enaltecer a solene maravilha produzida pelos colombianos em seu estádio ao homenagear os brasileiros e demais vítimas do acidente. Cada vela daquela iluminou corações no mundo.
Por outro lado, em meio ao maior baque da história do futebol, vem a direção do Internacional (RS) e tenta "melar" o Brasileirão - onde está com um pé e meio na segunda divisão. Coisas do ser humano, de gente nem sempre comovente.
São incrivelmente da mesma raça homens e mulheres que empregaram força descomunal de superação nos trabalhos de resgate dos corpos e atendimento aos poucos sobreviventes - e gente do comando da CBF que seguiu nesses dias trôpegos quase numa inércia de ajuda e sensibilidade.
Vimos o choro sincero da maioria - e alguns poucos forçados. O mau gosto de uma ou outra cobertura do fato - e a sensibilidade de chargistas, como um que retratou coletiva de São Pedro no céu com jornalistas que perderam a vida na tragédia. Homenagem do santo aos periodistas.
São Pedro deve ter ficado satisfeito de ver que não tem tempo ruim com seres humanos decididos a ser solidários - mas que, provavelmente, também coçou a barba e fechou a cara ao saber que um deles se atirou ao alto risco de uma pane seca por economia de combustível e de tempo.
Se, ao redor do mundo, a hashtag "#SomosTodosChape" invadiu o noticiário e as redes sociais, o terrível destino daquele voo também parece lembrar que, para o bem e para o mal, "#SomosTodosHumanos". No que temos de mais digno e de mais torpe. Mas é humanamente possível ser mais digno do que torpe, certo?
Dignas foram as homenagens como a de domingo em uma Chapecó tomada por lágrimas e chuva - e nas cidades de origem das vítimas durante seus sepultamentos. Quem fiquem para a posteridade os melhores exemplos - humanos no sentido elevado, bem longe de oportunismos rasteiros. Força, gente.