09 de julho de 2026
Esportes

Por um 'Milagrão'

Thiago Navarro
| Tempo de leitura: 4 min

Samantha Ciuffa
Milagrão vive contraste entre pista de alto nível e nenhuma estrutura para treinos e competições

Inaugurada em novembro de 2012, em meio à realização dos Jogos Abertos do Interior daquele ano em Bauru, a pista de atletismo Cabo Alcides, no estádio Antonio Milagre Filho (Milagrão) foi o maior investimento em um equipamento esportivo na cidade nas últimas décadas.

O custo exato da implantação da pista na época foi de R$ 4.525.387,53, com recursos próprios da Prefeitura de Bauru, que contratou, através de licitação, a empresa Recoma para executar o serviço. O material utilizado foi elogiado inclusive pelos atletas olímpicos que competiram na cidade nos Jogos de 2012 e de 2014, até agora os maiores eventos que o local já recebeu.

Localizada no Jardim Prudência - proximidades do Núcleo Nova Esperança, na região Noroeste de Bauru - a pista contudo já poderia ter sido muito mais utilizada. Poucos municípios brasileiros possuem um local como este para o desenvolvimento da modalidade, o que já credenciaria a Cidade Sem Limites a sediar diversos torneios nacionais e internacionais do atletismo. No entanto, mesmo tendo o principal, que é a pista, o estádio Milagrão esbarra em outro ponto: a inexistente infraestrutura de apoio. 

Apenas no último ano a pista de aquecimento foi construída. E ainda é necessário executar outras obras básicas, como banheiros, vestiários e uma área coberta para descanso de atletas, comissão técnica e árbitros. Nas duas edições dos Jogos Abertos realizadas por lá, e em outras competições menores ocorridas nestes quatro anos, foram usadas estruturas provisórias, como banheiros químicos, tendas e arquibancadas tubulares. Um espaço para a imprensa, permitindo por exemplo a transmissão de eventos pela televisão, também não existe e não há previsão de recursos para ser implantado. Sem condições de uso por parte dos atletas, a pista corre o risco de deteriorar-se, tornando-se um caso de desperdício de investimento público.

Projeto

O secretário municipal de Esportes, Roger Barude, explica que a cidade já possui verba para construir os banheiros, vestiários e arquibancada, o que já daria outra "cara" ao estádio. O valor, de quase R$ 2 milhões, foi conquistado junto ao Ministério do Esporte em 2014. "Primeiro construímos a pista de aquecimento, que custou R$ 300 mil. Agora, o projeto para construir vestiários para os atletas, sanitários para o público, departamento técnico e médico e uma arquibancada já está em fase final de elaboração na Secretaria de Planejamento (Seplan). A expectativa é que no primeiro semestre de 2017 a Semel possa licitar a construção disso", justifica o titular da Semel.

Antes de receber a pista de atletismo, o Milagrão era um dos estádios do futebol amador bauruense. Até então, havia uma arquibancada no local, que acabou sendo retirada - é possível ver as marcas no barranco onde existiam os lances da arquibancada. "Não foi possível manter a arquibancada porque a pista invadia parte desse setor, por isso foi preciso retirar", argumenta Barude.

A coordenadora de projetos da Prefeitura de Bauru, Sílvia de Deus, explica que nesta semana a Seplan deve encaminhar o projeto completo à Caixa Econômica Federal, para que seja autorizada a licitação a partir do início do ano.

"A contrapartida da prefeitura seria alta, de R$ 1 milhão, mas a realidade econômica hoje é outra. Como já demos a maior parte da contrapartida na pista de aquecimento, agora a intenção é usar o restante do recurso a ser repassado pela União, de cerca de R$ 1,6 milhão, e entrar com uma contrapartida bem menor, completando só o que for necessário mesmo", detalha Sílvia.

Manutenção

O JC ouviu pessoas com conhecimento da modalidade e a constatação é que mesmo a manutenção da pista existente não é feito a contento. Caminhões da prefeitura, inclusive, já teriam passado sobre a pista em algumas ocasiões, o que deveria ser evitado, pois o material sintético é sensível a quantidades excessivas de peso.

Sobre o assunto, Barude rebate. "A Semel dá a manutenção na pista. Houve sim, uma situação em que passaram por cima, que foi na visita da ex-presidente Dilma (Rousseff) - em março de 2014 - em que o helicóptero da presidência pousou no gramado do estádio, mas fora isso não temos o registro de outros problemas", pondera.

Pista de treino

Em 2013, outra pista de atletismo foi inaugurada na cidade. Com estrutura mais simples e sem o piso sintético, ela fica no estádio do Jardim Petrópolis, que é municipal, mas é usado e está aos cuidados atualmente da ABDA Atletismo, em parceria com a Semel. A reforma neste caso ficou a cargo da ABDA e de empresas responsáveis pelo projeto, que está revelando novos talentos da modalidade e promovendo a socialização de centenas de crianças e jovens, que treinam diariamente no local.

A equipe também usa a pista principal de Bauru, no Milagrão, para fazer seus treinamentos. E nos esportes aquáticos, outro braço de atuação da ABDA (natação e polo aquático), a entidade construiu neste ano, com recursos próprios, uma arena esportiva com piscina de última geração, nas dependências da Sociedade Hípica de Bauru.

Série especial

A matéria sobre o futuro da pista de atletismo do Milagrão abre uma série de reportagens do JC sobre a infraestrutura esportiva bauruense, o que foi feito nos últimos anos e as deficiências do setor, mostrando o panorama do que a próxima gestão encontrará a partir de 1º de janeiro de 2017. De hoje até sábado (exceto na sexta-feira), as matérias vão mostrar como estão os estádios distritais, ginásios e áreas de lazer na cidade.