O conceito de bem comum inicia-se com a fundação da política, cuja referência é a Grécia Antiga tendo como expoentes conhecidos pelo grande público os filósofos Platão e Aristóteles, tal conceito sobre o uso dos bens públicos dentro da coletividade teve outros desdobramentos no Renascimento, porém mantendo através da discussão institucional entre República e Monarquia o conceito de bem comum. A base tanto do Renascimento quanto da Modernidade é a natureza boa ou ruim da humanidade com abordagens empíricas ou racionalistas. A concepção de Estado como resultado da vontade soberana do povo começa a ter novos contornos com o darwinismo social e a sociobiologia, por exemplo, Conde Gobineau no Brasil Império e Richard Dawkins mais conhecido atualmente, apesar de que a sociobiologia ganha popularidade em 1975.
A farsa do bem comum tem fundamentos na ideologia seja religiosa, política ou mesmo na hipocrisia social, afinal a mobilidade social só ocorre quando a pessoa se sente ameaçada ou grupos se sentem ameaçados dentro do instinto de sobrevivência dentro da evolução social que toma como base a biologia. Já numa perspectiva social se podem ver alguns exemplos: do Congresso Nacional em querer desconfigurar as medidas de combate a corrupção, a utilização de altos cargos da República por pessoas investigadas como Renan Calheiros (agora réu) e o Eduardo Cunha (ex-deputado), sendo eles eleitos para o cargo por seus colegas.
Um fato curioso é a utilização do ex-deputado como bode expiatório, pois os 513 deputados da Câmara do Deputado ao tirar Cunha não esperavam a lista da Odebrecht que apresenta mais de 200 políticos em práticas de corrupção. Fora do poder político, porém tendo eles como patrões a cada 4 anos, o funcionalismo público que se mobiliza no Estado do Rio de Janeiro enquanto trabalhadores da iniciativa privada perdem empregos e se afundam em dívidas. Outra abordagem seria também a ideia de um Deus único se faz comprometida, afinal tendo somente um único ser supremo ninguém se entende, pois existem judeus, cristãos, muçulmanos, bahá’ís e espíritas.
A privatização de Deus nas divisões religiosas pode ser comparada com os atuais 35 partidos, o qual possui também reflexos no Estado, sendo que num ambiente acadêmico desconheço entre as correstes epistemológicas do conhecimento algo que permita isso, sem excluir a lógica clássica como o princípio de identidade, o da não contradição e o do terceiro excluído.
A verdade fundada na consciência de cada pessoa deve refletir sobre o bem comum, sobre a nossa postura em relação ao coletivo e o nosso interesse público em relação aos projetos das políticas públicas, pois perante decisões coletivas pouca importância se tem a ideologia, pois dinheiro, gestão pública e políticas públicas solucionam problemas sociais, sendo a ideologia uma crença que pode ser superada em obras que transformam a realidade, sem ficar no discurso ou promessa eleitoral. Caso a religião acredite na racionalidade pelo vínculo fé e razão, então a manifestação pública deve ser organizada não para atender interesses de grupos religiosos contra movimentos sociais, o mesmo para sindicatos e suas categorias profissionais, afinal querendo ou não pertencemos ao mesmo Estado brasileiro.
Se for um erro pensar a farsa do altruísmo do bem comum, então devemos pensar dentro da sociedade organizada o interesse público contra o interesse individual e de grupos concorrentes, caso contrário, privatizamos o coletivo chamado Estado desmontando a crença do bem comum do qual todos os brasileiros pertencem.