09 de julho de 2026
Articulistas

Dezembro, 2036

João Pedro Feza
| Tempo de leitura: 2 min

Estamos em dezembro de 2036. O especial de Natal de Tiago Iorc terá Roberto Carlos como convidado especial. Ele mesmo, o Rei, que ainda diz “dar uma namoradinha de vez em quando, bicho” do alto de seus 95 anos. O encontro promete emoções. Mas nem tudo são flores neste Natal. A tumultuada saída do presidente Lindbergh fez com que o País imediatamente se lembrasse da antiga Operação Lava Jato. Que acabou, mas fincou raízes. Quando o presidente foi acusado (ele nega) de estabelecer um novo esquema de propinas, dessa vez, na Virtualbras, viu-se encrencado. A empresa pública de serviços online precisa ser preservada, mas experimentou uma inédita desvalorização em meio aos escândalos.


Os felizardos que, hoje, lotam praias do Piauí (as mais badaladas do País), demonstram temor com o futuro da nação em recente reportagem feita com quem curte areia e sol em busca de uma virada de ano minimamente em paz. Mas como fugir do noticiário político? Eles, os políticos, parecem não aprender com os erros do passado.


E desde que Bruno Mars, o presidente-cantor dos Estados Unidos, endureceu na guerra fria com a China, também o mundo não tem mais sossego. Brigas comerciais e corrupção desenfreada estão a um passo de fazer o planeta implodir – basta ver os recentes e rumorosos casos de desvio de dinheiro público na Itália e na Rússia.


A decepção geral é que, em pleno 2036, tínhamos a ilusão de que o Brasil e o mundo seriam bem diferentes, pelo menos, de 2016 (ano de crise política e econômica nacional e de eleição de Trump nos EUA, não nos esqueçamos). O mundo gira e, após experimentar alterações de rota, às vezes, vê-se no mesmo ponto de partida. O mundo alterna momentos de honestidade e paz com outros, de sacanagem e dor. “As pirâmides que novamente construíste não me parecem novas, nem estranhas; apenas as mesmas com novas vestimentas”. Isso é Shakespeare (pelo menos é que vi nos óculos de realidade aumentada).


O mundo parece não saber lidar muito bem com seus demônios, especialmente aqueles que entram no corpo e na alma dos que comandam os destinos dos povos. E nem muito bem com o “Eterno Deus Mu-Dança”, como um dia cantou Gilberto Gil. Talvez, enfim, nada verdadeiramente mude, como disse um filósofo, dias atrás, no Programa da Sasha.

O autor é editor executivo do JC