| Aurélio Alonso |
| João Roberto Barraca, treinador Emerson Saez e Luiz Henrique Faustino disputam lutas de MMA MIX |
Um projeto social desenvolvido em Agudos ajudou a revelar dois atletas nas disputas de MMA - do inglês Mixed Martial Arts - as conhecidas artes marciais que incluem tanto golpes de combate em pé quanto técnicas de luta no chão. É o esporte que mais vem crescendo no Brasil e no mundo. Um dos símbolos é a liga UFC (Ultimate Fighting Championship) que transmite em TV aberta e canais fechados os combates dos grandes nomes da luta nas madrugadas de sábado para o Brasil. Criado em 1993, por Rorion Gracie e Robert Meyrowitz é o maior torneio de MMA do planeta que influenciou a criação de outras ligas nesta modalidade. O Brasil é uma espécie de “seleiro” de lutadores”. Essas artes marciais também chegaram às academias e já têm eventos em Bauru, São Manuel, Jaú, Botucatu, Marília entre os outros municípios da região.
O professor de jiu-jítsu Emerson Pereira Saez, de 39 anos, é o treinador de duas dessas revelações: João Roberto Barraca, 18 anos, e Luiz Henrique Faustino Teodoro, 20 anos, ambos agudenses que começaram há nove anos nas lutas marciais e estão há dois anos disputando o MMA MIX. Foram descobertos no projeto social da prefeitura. Um deles, brigava muito na escola e foi indicado para acompanhar as aulas de artes marciais do professor Emerson Saez e lá canalizar para o esporte toda a energia. “O objetivo do projeto não é transformar todos em lutadores. Lá priorizamos a inclusão social, mas eles se destacaram nas aulas de artes marciais até começarem a disputar lutas de MMA e conseguirem bons resultados”, conta o professor.
A categoria é profissional e segue o ranqueamento do Sherdog americano. É um site em língua inglesa, o qual é considerado o maior do mundo sobre artes marciais mistas (MMA). Os combates são realizados em eventos seguindo as normas do UFC, dos quais a arena de luta é no octógono - jaula de oito lados desenvolvida para não machucar os competidores. As nove categorias vão do peso mosca de 53 quilos ao peso pesado de 120 quilos.
A luta reúne as técnicas de boxe, jiu-jístu brasileiro, Muay Thau e Wrestling. De acordo com Emerson Saez, é um antigo “vale tudo”, porém com mais regras e um rígido acompanhamento de médico.
As maneiras de vencer pode ser por nocaute, finalização, nocaute técnico, decisão dos jurados, desqualificação e sem resultado. Na região há outro destaque nessas lutas como Bruno Henrique Cappelozza atleta de Jaú atualmente treinando no Corinthians com participação em lutas fora do País e detentor de dois cinturões. O JC entrevistou Cappelozza que contou que começou nas artes marciais aos 7 anos. Atualmente, ele passa por treinamentos diários na Capital para participar de eventos internacionais.
Emerson Saez revela que também busca levar um de seus lutadores para participar de eventos nos Estados Unidos, a dificuldade é conseguir patrocínio.
Jaú tem lutador consagrado
Bruno Henrique Cappelozza, do Corinthians, é um dos grandes nomes do MMA com dois cinturões experiência internacional no Jungle Figth
| Rizinff/Divulgação |
| Bruno Cappelozza comemora quando conquistou o cinturão no Jungle Fight 82 em outubro de 2015 |
O atleta do Corinthians desde 2012, Bruno Henrique Cappelozza, 27 anos, é um dos grandes nomes do MMA na região. Em maio deste ano, no ginásio do Ibirapuera em São Paulo, na edição 87 do Jungle Fight na luta principal, Bruno Cappelozza e Klidson de Abreu duelaram pelo cinturão dos meio-pesados. Logo no primeiro round, Cappelozza fraturou o pé, porém, a lesão não foi suficiente para parar o paulista, que vinha com vantagem nos dois primeiros rounds, e conseguiu o nocaute técnico aos três minutos do terceiro assalto.
O lutador alvinegro Bruno Cappelozza foi eleito o melhor atleta peso-pesado do Brasil no ano passado. Na categoria, ele é campeão do Jungle Fight e representou o Timão no Rizin FF, um dos maiores eventos da modalidade no mundo.
Ele é um dos grandes destaques da atualidade com participações de lutas contra adversários internacionais. O JC falou com ele na quinta-feira. Veja os principais trechos da entrevista.
JC - Como começou a carreira nas artes marciais em Jaú? Quem incentivou?
Bruno Cappelozza - Comecei a praticar artes marciais por incentivo de minha mãe. Inicialmente foi no caratê aos 7 anos. E profissionalmente comecei a lutar aos 17 anos, quando praticava Muay Thai. O meu maior interesse pelo MMA foi aos 20 anos quando fiz a minha primeira luta.
JC - Como foi a primeira luta de MMA. Afinal, neste esporte tem que estar bem preparado por ser uma luta de contato. É necessário dominar mais de uma arte marcial?
Cappelozza - Como nunca tinha lutado MMA e como treinava mais por conta, treinava pouco jiu-jítsu. No decorrer da luta estava indo bem melhor do que meu adversário no evento Predador Fight detentor do cinturão, mas acabei perdendo. Não levei isso como uma frustração, mas um ensinamento para a minha vida. Mesmo a gente perdendo, podemos dar a volta por cima.
JC - Quanto você treina diariamente? E sei que não é necessário só a parte física. Como é feito o preparo psicológico para enfrentar os adversários?
Cappelozza - Treino em São Paulo na academia do Corinthians. São de dois a três treinos por dia. É bem puxado. Fazemos muitos treinamentos físicos, mas há também bastante de lutas como boxe, Muay Thai, jiu-jítsi entre outros. Há um grande preparo com acompanhamento de psicólogo. É necessário preparar tanto a parte física como a psicológica, o que ajuda a fortalecer bastante.
JC - Quais as principais competições que vai disputar e quais os títulos importantes nos últimos anos?
Cappelozza - Tem um evento no Japão que se chama Rizin, provavelmente estarão lá novamente e Jungle Fight, o maior evento da América Latina que tenho dois cinturões em duas categorias diferentes (meio-pesado e peso-pesado de até 100 kg). O meu empresário está negociando com alguns eventos asiáticos e americanos de nome para ver se entro em alguns deles.
JC - Como é o MMA na região de Bauru e Jaú? É uma atividade em crescimento? Qual é a dificuldade que os atletas encontram?
Cappelozza - Aqui no Interior de São Paulo é meio difícil encontrar equipes fortes para a gente treinar. Tem a Kings do Cipó em Piraju, a Thai School de Bauru do João Paulo Bomba que treina o Kaina, o João Paulo e o Cipó de Piratininga. Aqui no interior ainda passa por muitas dificuldades a gente depende muito de um patrocínio para continuar a treinar forte. A ajuda muitas vezes poderia ser da prefeitura por meio de uma Bolsa Atleta. Em Jaú, isso não temos.
JC - O sonho é lutar no UFC?
Cappelozza - Com certeza, este é um sonho que pode virar realidade. No momento tenho um bom empresário e se Deus quiser chegarei lá.
Região tem lutadores de destaque
Eventos são realizados até em pequenos municípios e modalidade de artes marciais ganhou uma estrutura mais moderna e regras rígidas
O MMA Mix tem atraído cada vez mais público também a cidades pequenas. Os eventos têm sido promovidos em cidades como São Manuel, Piratininga e tem previsão de evento em Pederneiras no ano que vem. Neste ano, Bauru já promoveu dois eventos com boa presença de público no Ginásio Panela de Pressão.
| Aurélio Alonso |
| Emerson Pereira Saez que dirige projeto social em Agudos |
| Luiz Teodoro ao vencer em evento no Ginásio Panela de Pressão |
Há pelo menos oito lutadores que têm se destacado em várias categorias como Luiz Henrique Teodoro (Agudos), Kaina Bahia (Bauru), Ricardo Pereira, João Oliveira, João Roberto Barraca (Agudos), Diego Valim Cachopa (Igaraçu do Tietê), Wellington Fernandes, o Cipó, João Paulo Bomba (Bauru), Alex Kamikaze (Marília), Fabio Tavares (Araraquara), João Samurai (Ibaté), Satbile Amato (São Manuel) e Reginaldo Garcia Corvão (Botucatu).
Um dos grandes destaques da região é o atleta Bruno Henrique Cappellosa, de Jaú, que está no Corinthians na categoria peso pesado (leia texto na página 19).
O MMA sobreviveu a todas as crises nos Estados Unidos e é considerado um dos esportes mais rentáveis.
No Brasil, essa moda pegou porque tem influência do “vale-tudo” modalidade que apareceu em 1920 no Brasil com o famoso “Desafio Gracie”, que opôs a família Gracie a outros representantes das artes marciais, mas não emplacou tanto ao longo dos anos devido a violência.
O MMA modernizou a modalidade, porque as artes marciais mistas podem ser praticadas como esporte de contato em uma maneira regular ou em um torneio no qual dois concorrentes tentam derrotar um ao outro. É utilizada uma grande variedade de técnicas permitidas de artes marciais — tais como golpes utilizando os punhos, pés, cotovelos, joelhos —, além de técnicas de imobilização — tais como lances e alavancas (imobilizações do caratê e submissões de wrestling profissional, esporte olímpico que utiliza técnicas de agarramento e quedas).
A MMA, porém, trouxe regras mais rígidas, dos quais a própria arena (octógono) feita de materiais para não machucar os competidores. A luta também não permite cabeçada, dedo no olho, na boca, morder, puxar o cabelo, golpe baixo, na espinha, nuca entre outras regras.
“O Mix Marcial Artes nas lutas de contato cada praticante dessa modalidade se especializa em uma luta. Então, não é necessário o atleta dominar várias dessas artes marciais. Ele pode treinar Muay Thai como o kickboxer. O atleta tem ter habilidade em pé. Há atletas no mercado que domina até sete modalidades. Quando mais ele se especializar é melhor para ele”, afirma Emerson Saez.
Projeto social
O projeto social desenvolvido pela Secretaria Municipal de Esportes e Turismo (Selt) em Agudos por Emerson Saez vem desde 2006 na gestão do ex-prefeito Carlos Octaviani.
“O projeto não agrega só campeões. Ali trabalho com inclusão social. Fazemos um trabalho desde crianças de 6 anos até os mais velhos. O que a gente visa é o cidadão”, conta Saez, professor de artes marciais e formado em administração de empresas.
Emerson Saez conta que um dos atletas que disputa MMA MIX chegou junto com o irmão ao projeto social por recomendação do Conselho Tutelar por brigar muito na escola. “Os dois vieram aqui com 11 e 12 anos. Um deles é atleta de ponta e o outro conseguiu emprego e melhorou muito o comportamento”.
Também é trabalhado nas aulas a parte religiosa. “Não pregamos uma religião específica. Ali se prega a palavra de Deus”, conta.
Um dos grandes problemas enfrentados com os jovens é o envolvimento deles com drogas. “Ajudei a tirar um aluno do crack, hoje ele é atleta no Rio de Janeiro. Ganhou dois cinturões e mora em São João da Barra (RJ). Ele luta MMA na categoria peso pesado e ficou por três anos na minha equipe”, finaliza Saez.