O juiz federal Sérgio Moro, da 13.ª Vara Criminal Federal de Curitiba, voltou nesta segunda-feira, 12, a discutir com a defesa do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva durante audiência. O magistrado irritou-se com interrupções e chegou a gritar com um dos advogados no depoimento de uma testemunha no caso do triplex no Guarujá (SP), que a força-tarefa da Operação Lava Jato atribui ao petista. No processo, Lula é acusado de corrupção e lavagem de dinheiro.
A discussão começou durante o depoimento de Mariuza Aparecida Marques, funcionária da empreiteira OAS encarregada pela supervisão do prédio do Guarujá. Aos berros, Moro mandou que o advogado Juarez Cirino dos Santos, um dos defensores de Lula, o respeitasse. Santos havia dito que o juiz federal atua como "acusador principal". O bate-boca ocorreu aproximadamente aos 13 minutos da audiência.
Defesa
Em nota, o advogado Cristiano Zanin Martins diz que o triplex é de propriedade da OAS e que o ex-presidente, sua mulher e seus filhos "jamais usufruíram do apartamento e nunca tiveram em suas mãos a chave do imóvel - ponto também ressaltado pela engenheira Mariuza Aparecida Marques, encarregada da OAS pela supervisão da unidade" e que "nenhuma das contratações alegadas de melhorias no imóvel foi ordenada por Lula ou seus familiares".
"O relato das quatro testemunhas ouvidas hoje (ontem) - e que se somam às 19 das audiências anteriores - pelo juiz Sergio Moro na audiência da 13.ª Vara da Justiça Federal de Curitiba enterrou de vez a denúncia, amplamente alardeada pelos acusadores, de que o triplex do Guarujá seria de propriedade do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva", afirma o texto.