10 de julho de 2026
Articulistas

Furtos que não diminuem


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As contravenções penais de pequenas dimensões podem ser inexpressivas, mas não deixam de figurar na respectiva hierarquia. São como os pecados que, cometidos, não perdem em nada a sua qualificação, constituindo, de qualquer forma, condenável agressão à dignidade de quem os cometeu e, por isso, deixam de ser perdoados pelos que os sofreram. A jornalista Rita de Cássia Cornélio, que diariamente surpreende os leitores do JC com novidades policiais, há poucos dias despontou com mais uma, revelando, baseada em dados estatísticos, que os furtos registrados em Bauru no primeiro trimestre deste ano elevaram-se astronomicamente a 30. Quase nenhum foi de grande porte, nem mesmo os de tipo famélico, praticados normalmente em estabelecimentos comerciais, nos quais as subtrações incidiram apenas sobre guloseimas, refrigerantes, leite, pilhas e sabonetes. Mas não se pode contestar e nem deixar de condenar a sua ocorrência. Nem as empresas lesadas aceitam que aconteçam livremente, tanto assim que aplicam verbas contratando segurança privada para tentar contê-las. E as autoridades policiais também não deixam de reagir contra elas, colocando-se sempre perfilhados no sentido de dar-lhes o imprescindível combate ou corretivo. “A cada dois meses analisamos o problema, juntamente com mentores da Polícia Militar” - explicou à prezada jornalista o delegado seccional Donizete José Pinezi, acrescentando que a sua equipe se detém, rotineiramente, no exame da respectiva estatística e, então, vai além prevenindo a população contra os delitos em tela. “Hoje, as pessoas estão mais conscientes e prevenidas contra o perigo. As mulheres, por exemplo, andam com as bolsas agarradas ao corpo e não expõem a carteira” - destacou outro delegado, Marcelo Nagib Haddad. Entretanto, multiplicando-se os 630 do primeiro trimestre por quatro anuais, totalizando então 2.520, é inegável que a somatória amedronta a sociedade, incumbindo-a de agir com todo rigor contra os crimes de que está sendo vítima na liberdade das ruas e no recesso de suas moradias. Ser-lhe-ia imperdoável deixar a repressão sob o exclusivo cuidado dos policiais, que têm tantas outras ações para desmantelar, com plena predisposição de resguardar do pior “esta cidade tão boa de se viver”, conforme garantem as letras e palavras da chamada que a prefeitura patrocina na televisão. É a nossa opinião.

O autor, N. Serra, é o jornalista responsável do JC e delegado regional da Associação Paulista de Imprensa e da Ordem dos Velhos Jornalistas do Estado.