| Neide Carlos |
| Promotor eleitoral Hércules Sormani Neto está apurando supostos casos de fraude em Bauru |
Desde que a legislação exigiu a participação de mulheres em pelo menos 30% das chapas de candidatos a cargos legislativos, em toda a eleição partidos e coligações fazem malabarismos para preencher a cota de gênero. O Ministério Público Eleitoral (MPE) já iniciou, contudo, investigações sobre possíveis casos de candidaturas femininas falsas, lançadas no pleito deste ano, em Bauru, com o intuito de simular o cumprimento das regra, sem que as agremiações tivessem que reduzir o número de postulantes do sexo masculino à Câmara Municipal.
A informação foi confirmada ao Jornal da Cidade pelo promotor Hércules Sormani Neto, que atua na 23ª Zona Eleitoral, responsável pelo registro das candidaturas da cidade.
A apuração atende a recomendação expedida pela Procuradoria Regional Eleitoral (PRE-SP), que listou uma série de indícios para nortear as investigações em todo o Estado de São Paulo.
SEM VOTOS
A "votação zero" no dia 2 de outubro é um dos fatores que chama a atenção para as apurações por indicar a suposta ausência de campanha.
No Estado de São Paulo, de acordo com dados disponibilizados pela Justiça Eleitoral, 2.355 candidatas não receberam um voto sequer na eleição deste ano. Deste total, 1.237 são consideradas suplentes, o que significa que, eventualmente, mesmo que com chances remotas, possam vir a assumir mandatos parlamentares em seus municípios.
Em Bauru, foram dois casos, fato não verificado com nenhuma outra candidatura masculina validada na cidade. Três mulheres ainda receberam 1, 2 e 4 votos. Um homem recebeu três.
RENÚNCIA
Outro indício de candidaturas fraudulentas apontado pela Procuradoria Regional Eleitoral é a pronta renúncia. Ou seja, aquelas registradas dentro do prazo legal, mas retiradas quase que de imediato, em seguida.
Quando isso ocorre, os partidos e coligações não são obrigados a cortar candidatos do sexo masculino para manter a proporção mínima dos 30%.
Em Bauru, foram 17 renúncias formalizadas à Justiça Eleitoral; onze delas de mulheres, mas nem todas, necessariamente, próximas à data de registro, embora alguns casos do tipo tenham sido noticiados.
SEM RECURSOS
O MPE também considera um indício de candidatura falsa a ausência de movimentações financeiras pelas campanhas, sem qualquer arrecadação de recursos nem realização de despesas.
As análises das prestações de conta estão sendo feitas em Bauru pela 387ª Zona Eleitoral.
Recorde de mulheres
Pela primeira vez, a Câmara Municipal de Bauru contará com três mulheres. No último 2 de outubro, Telma Gobbi (SD) foi reeleita e Chiara Ranieri (DEM) conseguiu voltar ao Legislativo, para cumprir seu segundo mandato, após quatro anos sem cargos eletivos.
Yasmim (PSC), filha do deputado estadual Celso Nascimento (PSC), é a terceira representante do sexo feminino na próxima legislatura e estreará no parlamento no dia 1 de janeiro, quando todos os vereadores eleitos serão empossados e participarão da sessão que elegerá a Mesa Diretora da Casa.
Atualmente, Telma é a única mulher da Câmara de Bauru. Entre 2009 e 2012, o Legislativo local também só tinha Chiara. Durante muitos anos, esse posto foi ocupado por Majô Jandreice, a primeira mulher eleita na cidade.
Até hoje, a maior representação feminina havia se dado entre 1997 e 2000, com Majô e Catarina Carvalho. Elas ainda ficaram mais um período juntas entre 2003 e 2004.
Em cargos executivos, até hoje, apenas Estela Almagro (PT) chegou lá. Ela foi eleita e reeleita, em 2008 e 2012, vice-prefeita de Bauru, na chapa encabeçada por Rodrigo Agostinho (PMDB).
Perfil
Em agosto, o Jornal da Cidade fez um raio-X das candidaturas registradas por partidos políticos e coligações à Câmara Municipal.
Dos mais de 300 postulantes informados à Justiça Eleitoral, 67% eram do sexo masculino.
Mais da metade (58%) dos candidatos e candidatas tinham mais de 45 anos e 35% haviam concluído o ensino superior. Quase 70% eram casados e 80% declararam-se brancos.