11 de julho de 2026
Cultura

Tássia Sardão, artista plástica de Bauru, participa da Bienal de Arte Contemporânea de Brasília

Aline Mendes
| Tempo de leitura: 2 min

Malavolta Jr.
A artista plástica Tássia Sardão fala sobre a Bienal de Arte
José Ivan dos Santos
Acemira Acrílica sobre couro de boi 2016: na capital federal

O Distrito Federal é o ponto de partida de muitas pautas, nem todas sobre o cenário político. Referência também na cultura, Brasília recebeu de novembro ao início deste mês a primeira Bienal de Arte Contemporânea do Sesc DF. E entre os 64 expositores estava a artista plástica Tássia Sardão, com a obra Acemira.

Natural de Pradópolis (SP), ela vive há 9 anos em Bauru e, aos 28 anos, comemora a seleção para o evento.

“É uma experiência maravilhosa e muito importante para o artista, ainda mais do interior, que muitas vezes não tem seu trabalho valorizado e gasta mais para expor do que com a venda das obras”.

Além de dar visibilidade ao trabalho, a Bienal é também ponto de encontro. “Estive na abertura e conheci muitos artistas. É sempre uma troca enriquecedora de conhecimentos. Eu me senti honrada por ter meu trabalho entre tanta gente especial”, relembra.

A OBRA

A palavra acemira, que dá título ao trabalho de Tássia exposto em Brasília, significa o que causa dor, em tupi-guarani. A obra foi pintada com tinta acrílica sobre couro de boi, experiência inédita para ela.

“O artista contemporâneo faz muita pesquisa antes da escolha do material e o couro ultrapassa os limites dos meus trabalhos anteriores e da tela. Agora me sinto mais dentro da minha proposta de expressar meus sentimentos mais intensos”. Em uma mistura de cultura, religião e construção social, Acemira retrata um ritual de morte, demonstrado por meio do corpo retalhado, como em uma tribo bororo.

“O couro de boi se tornou a minha pele, esticada, enfeitada e recortada para um rito fúnebre, antecipado e decorado com ramos de oliveira para purificar e acalmar o espírito desassossegado e perturbado pelo sofrimento”, explica.

Acostumada a trabalhar com grafismos indígenas e a temática do feminismo, acredita que esta obra, em especial, gere reflexões. “Ao mesmo tempo em que falo de morte e aceitação, essa obra traz uma espécie de ritual de expurgar sentimentos que doem”, diz.

O JEITO

Para a artista, é interessante que cada expectador receba a obra de uma forma, a partir da sua bagagem pessoal, mas é válido compartilhar suas intenções. “Gosto de me sentir livre e só por meio da arte posso enfrentar meus medos e propor questionamentos”.

Não falta inspiração no dia a dia e na casa, seu ateliê. “Vou reunindo ideias. É uma maneira sensível de ser e de viver a poesia desse trabalho. O difícil é compor, dar vida à ideia e elaborar de forma harmônica, a ponto de dar sentido”.

Tássia, que já expôs em Bauru, pretende apresentar aqui também a Acemira, junto a outros novos trabalhos. “Expor é uma necessidade vital para o artista, não consigo me ver fazendo outra coisa”. Para saber mais: o e-mail da artista é o sardaotassia@gmail.com.