11 de julho de 2026
Política

Mais estacas reprovadas "travam" ETE e obra espera novo governo

Vinicius Lousada
| Tempo de leitura: 4 min

Os novos testes de carga realizados sobre estacas cravadas na Estação de Tratamento de Esgoto (ETE) não apresentaram resultados satisfatórios. Pelo menos essa é a avaliação da Secretaria de Obras da Prefeitura de Bauru, que aguarda posicionamento da Arcadis Logos, empresa que elaborou o projeto executivo da obra, sobre eventuais consequências e soluções para sanar o aparente problema.

Douglas Reis
Futuro presidente do DAE, Fabris deve conduzir gestão da obra a partir de janeiro

Anunciado como futuro presidente do DAE, o engenheiro Eric Fabris já avisou, porém, que pretende submeter os relatórios dessas provas a novas análises, assim que assumir o cargo, em janeiro do ano que vem. Ele acredita que, ao menos nos cinco primeiros ensaios, pode ter havido algum tipo de falha de interpretação dos resultados.

“Não quero antecipar nada, mas a situação pode não estar tão ruim assim. Logo que chegar ao departamento, vou tomar pé de tudo e submeter essas avaliações a um amigo especialista em prova de carga. A gente não pode sair queimando as coisas desnecessariamente”, disse Fabris, nessa terça-feira (20), ao Jornal da Cidade.

Quando anunciado pelo prefeito diplomado, Clodoaldo Gazzetta (PSD), como próximo presidente da autarquia, o engenheiro avisou que a gestão dos trabalhos da ETE sairia da Secretaria de Obras para ser absorvida pelo DAE.

OS TESTES

No dia 18 de novembro, o JC noticiou que, dos primeiros cinco testes de carga sobre as estacas, quatro não haviam atingido resultados satisfatórios. Agora, mais quatro ensaios foram realizados e os mesmos problemas foram identificados em três, segundo o secretário de Obras, Sidnei Rodrigues.

Ele explica que sete das nove estacas - que são enterradas e têm a função de garantir sustentação às estruturas da ETE -, embora tenham aguentado a carga projetada para a obra, teriam cedido quando submetidas ao peso estipulado pelas normas técnicas brasileiras.

Até agora, 1.000 estacas raiz foram cravadas. Mais 1.000 precisam ser instaladas, mas essa frente de serviços está suspensa desde o dia 25 de outubro, por conta dos problemas que já foram identificados.

O secretário Sidnei Rodrigues garante que os trabalhos no canteiro de obras continuam, mas admite que os tanques a serem instalados sobre as estacas com problemas são o “coração da ETE”.

Prefeitura aguarda a empresa projetista

Quioshi Goto
Rodrigues diz que novos testes serão contratados diretamente pela prefeitura 

O secretário de Obras Sidnei Rodrigues afirma que a empresa responsável pelo projeto da Estação de Tratamento de Esgoto (ETE), a Arcadis Logos, comprometeu-se a, na semana que vem, a apontar a dimensão dos problemas até agora diagnosticados, bem como possíveis soluções para sanar eventual insuficiência das estacas cravadas até então.

Caso sejam necessários reforços ao que já foi instalado e adequações ao que ainda vai ser, o custo da obra aumentará. Por esse motivo, o governo municipal já cogita cobrar possíveis prejuízos da empresa, se forem mesmo confirmadas falhas no projeto executivo.

A tomada de eventuais providências, aliás, já está sendo discutida entre Sidnei Rodrigues e integrantes da equipe de transição nomeada por Clodoaldo Gazzetta (PSD). A Prefeitura de Bauru também vai contratar novos testes aos quais serão submetidas 300 estacas já instaladas. Segundo Sidnei, esses ensaios, chamados “pits”, podem ajudar a esclarecer esclarecer, inclusive, se houve falhas na execução da instalação das estacas.

O serviço já foi cotado - em R$ 15 mil - e depende do aval do DAE, já que deve ser pago com recursos do Fundo de Tratamento de Esgoto (FTE).

Novelão

Originalmente, a construção da ETE deveria ter ficado pronta em setembro deste ano. O atraso nos trabalhos fez, no entanto, com que o prazo final fosse estendido para dezembro de 2017.

Até agora, R$ 19.523.504,72 em serviços foram executados no canteiro. O consórcio gerenciador das obras, SGS-Enger/JHE, apontou que mais R$ 24.696.350,78 já poderiam ter saído do papel. Metade do atraso foi de responsabilidade da própria construtora, a COM Engenharia.

O custo total da ETE, passível de novos aumentos, já saltou de R$ 129.229.676,00 para R$ 138.948.360,00, em decorrência de reajuste e aditivo já autorizados pela Prefeitura.

O governo federal se comprometeu a pagar R$ 118 milhões na obra. Todo o restante deverá ser custeado com recursos do Fundo de Tratamento de Esgoto (FTE), pago todos os meses pelo contribuinte bauruense junto às contas de consumo de água e coleta de esgoto.