| Marcus Liborio |
| Paulo: “É preciso fazer a manutenção sempre que for viajar” |
Antes de qualquer viagem, seja curta ou longa, a revisão do carro não deve escapar da lista de obrigações (confira dicas no quadro do final da matéria), principalmente nesta época do ano, quando o trânsito nas rodovias é ainda mais intenso e qualquer descuido virar tragédia. Para se ter uma ideia, a má conservação de veículos gerou 3.610 multas somente neste ano em Bauru e região.
A informação foi prestada pelo capitão PM Eurico de Oliveira Junior, da 1.ª Companhia do 2.º Batalhão de Polícia Rodoviária (que abrange 38 municípios, incluindo Bauru). Segundo ele, do total das autuações, mais de 80% foram por causa de pneus lisos. “Também é o maior causador de acidentes, cujo risco é potencializado nos dias de chuva, em razão da aquaplanagem”.
Conforme consta no artigo 30, inciso 18 do Código de Trânsito Brasileiro (CTB), conduzir o veículo em mau estado de conservação, comprometendo a segurança, gera infração grave, com a perda de 5 pontos na carteira de habilitação e multa de R$ 195,23.
Estão entre as irregularidades: pneus desgastados (inclusive o estepe); para-brisa danificado; lataria com avaria ou traços de corrosão; portas amarradas por arames; folgas excessivas na direção; bancos soltos, entre outros. “A maioria das ocorrências deste tipo envolve carros mais antigos, das décadas de 1980 e 1990”, revela o capitão Eurico.
Na vice-liderança das autuações por falta de manutenção, com 702 multas registradas em 2016, aparecem os casos de problemas de iluminação no período noturno, como lanterna, setas ou faróis queimados. Nestes casos, a infração pode ser média (4 pontos e R$ 85,13) ou grave (5 pontos, R$ 195,23), conforme a gravidade do defeito.
“Nós constamos, no auto de infração, que houve uma negligência por parte do motorista, o que entra como modalidade culposa e acaba complicando os trâmites na hora de receber o seguro, por exemplo”, observa o capitão Eurico.
Ele ressalta, ainda, imprudência de parte dos motoristas, elencando, em ordem, as principais causas: excesso de velocidade, ultrapassagem em locais proibidos e embriaguez.
Eurico pondera que o percentual de autuações por má conversação de veículos compreendem tanto os acidentes quanto somente as multas geradas por fiscalizações.
Neste ano, foram contabilizados 2.080 acidentes, sendo 52 com vítimas fatais.
ATENDIMENTOS
Segundo a Concessionária Auto Raposo Tavares (Cart), panes mecânicas e elétricas, pneu furado, superaquecimento do motor e bateria descarregada estão entre as principais ocorrências na rodovia.
No trecho administrado pela Cart (incluindo Bauru), de janeiro a outubro de 2015, registrou-se 14.893 atendimentos. No mesmo período deste ano, contudo, foram 15.842, um aumento de 6,37%.
Desse total, 47,35% são referentes a problemas mecânicos por falta de revisão periódica ou manutenção. Estão entre eles: pane mecânica (36,11%), pneu furado (6,43%), falta de combustível (2,46%), pane elétrica (1,77%) e superaquecimento (0,58%).
Mesmo viagens curtas necessitam de revisão
Não é porque a viagem é curta que o condutor pode dispensar a revisão do veículo. O mecânico Paulo Suzuki de Moura, 45 anos, dos quais são 30 dedicados à profissão, conta que muitos procuram a oficina somente quando a situação do automóvel já está delicada.
“No entanto, é preciso fazer a manutenção sempre que for viajar, principalmente olhar os sistemas de arrefecimento, freios, luzes e a correia dentada”, discrimina.
Sobre o último item, Paulo orienta atenção redobrada. “Imaginamos que a viagem seja de apenas 50 quilômetros. Se a correia dentada está com a sobrevida comprometida e se rompe, prejudicará o motor e as válvulas, o que vai fazer o veículo parar”, alerta.
Para trocar somente a correia, diz ele, o custo fica em torno de R$ 300,00. “Depois que ela quebrar, o valor sobe para R$ 1,8 mil, porque precisará refazer parte do motor”.
A troca da peça deve ser feita após 60 mil quilômetros rodados. “Ou depois de cinco anos de uso, pois ela pode ressacar”, orienta, ponderando que não são todos os carros que possuem a peça. “Alguns têm corrente de motor, que é mais difícil de dar problema”.
Paulo diz que, no final do ano, mais de 90% do serviço é de revisão para viagens. É o caso da arquiteta Márcia Regina Pereira, 42. No mês que vem, ela percorrerá até 440 quilômetros até a Capital. “São dois anos de uso do carro, mas faço inspeção a cada seis meses”, garante.
Você sabia?
Um carro possui, em média, 20 mil peças. “Se considerar os parafusos, ruelas, fios, chapas, entre outros, os componentes de um automóvel somam esta quantidade”, estima o engenheiro mecânico e especialista em motores Marcos Camerini.