| Sérgio Fleury Moraes/Jornal Debate |
| Prefeito de Santa Cruz do Rio Pardo, Otacílio Parras, chora ao falar sobre denúncia de desvio financeiro |
O prefeito Otacílio Parras Assis (PSB) tornou público nessa sexta-feira (23) de manhã em entrevista coletiva que a administração municipal descobriu na quinta-feira um esquema de desvio financeiro que deve chegar a R$ 3,5 milhões. Uma funcionária foi afastada do cargo. O caso foi encaminhado à Polícia Civil.
Durante a entrevista, o prefeito chorou e recomendou a responsável pelo suposto desvio do dinheiro para se suicidar. “É desanimador, fazer uma administração séria e vem um imbecil desses fazendo isso. Não tem cabimento, essa pessoa tem que ter a honra e dar um tiro na cabeça e se suicidar”, declarou o prefeito aos prantos.
Devido a descoberta da suposta fraude, o prefeito baixou um decreto que suspende o ponto facultativo de segunda-feira dos servidores da tesouraria.
Otacílio afirmou que tinha o temor que esse desvio tivesse ocorrido somente na atual administração, mas nessa sexta-feira (23) constatou que vem desde 2012 com base em documentos encontrados na contabilidade. “É um fato grave, criminoso e já apuramos o desvio de R$ 3,5 milhões”.
Pela documentação levantada inicialmente em 31 de janeiro de 2012 tudo aparentava que estava correto, mas pelos extratos bancários de 2013 foram constatados que eram falsos. O extrato verdadeiro daquele dia não bate com a quantia que foi depositada no banco. Parte da quantia não estaria na conta.
O prefeito afirmou que em 31 de janeiro de 2012 já existia um desvio de mais de R$ 1 milhão. “Não sabemos quanto desviou em 2012, porque houve um mascaramento com extratos falsos para passar para a gestão deste prefeito”.
Otacílio cita que em dezembro de 2012 quando pediu toda a conciliação bancária, que seria obrigação da administração anterior entregar, teria sido recusada. “Foi pedido prazo, alegando que havia muitos convênios para serem pagos e a conciliação não estava pronta. Eu desconfio que a pessoa que falou isso na época já sabia que tinha problema na conciliação e não entregou os documentos no final do ano. Assumimos a administração sem que passassem todas as informações”, recordou.
A descoberta do rombo ficou exposto, de acordo com o prefeito, porque uma funcionário transferiu dinheiro de uma conta que não tinha autorização de mexer – a Contribuição de Iluminação Pública (CIP) – a partir daí começou a investigação até descobrir tudo.
A servidora chegou a propor a demissão do cargo. O nome dela não foi divulgado. De acordo com assessoria de imprensa, a servidora suspeita é concursada como oficial administrativa desde 1993. Em 1999, ela passou para função gratificada em cargo de confiança como diretora do Departamento de Tesouraria. Ela foi afastada por 30 dias e demitida da função gratificada. A administração informou que será aberto processo administrativo.
Delegado afirma que vai pedir quebra de sigilo bancário e fiscal
O delegado titular de Santa Cruz do Rio Pardo, Renato Mardegan, recebeu a documentação da prefeitura nessa sexta-feira (23) à tarde. Ele instaurou inquérito policial para apurar crime de peculato, falsificação de documento público e falsidade ideológico. “A princípio são três crimes, mas se constatar o envolvimento de mais pessoas pode até ser instaurado inquérito para apurar associação criminosa, mas essa quarta possibilidade é um pouco prematura”.
Até a próxima semana será solicitada a perícia contábil para saber de que forma foi feito o desvio financeiro. “Imediatamente vou pedir a quebra do sigilo fiscal e bancário, além de um levantamento se tem algum valor depositado na conta de um suspeito vamos solicitar o bloqueio”, informou o delegado.