| Denise Guimarães |
| Presépio na Paróquia São José Trabalhador representa o nascimento de Jesus |
Em tempos de consumismo, o Natal ganhou conotação comercial e o sentido religioso para muita gente foi deixado de lado. Agora precisa ser resgatado. Esta é a avaliação do padre Milton César Carraschi, pároco da Igreja São José Trabalhador, na Vila Industrial. "Infelizmente, vivemos em uma época em que se comercializa tudo, inclusive as questões ligadas à religião, como Natal, Páscoa e o dia de Nossa Senhora", pontua.
"O Natal tornou-se a melhor época para dar presentes, a Páscoa virou a festa do chocolate, e o dia de Nossa Senhora passou a ser também dia das Crianças", resume. Para ele, o cristão deve se atentar aos excessos cometidos nestas datas e promover uma reflexão.
"O Natal não é acima de tudo Deus falando com a humanidade, quando Ele se fez homem, nasceu assumindo a carne humana, para nos revelar coisas que jamais saberíamos se não fosse isso. Esta é a celebração que deve sempre ser lembrada", afirma. Na opinião do pároco, certamente os presentes que Deus espera são as boas obras, de caridade e justiça", completa.
A importância do nascimento de Jesus Cristo é tão grande que o fato marcou a própria divisão da história. "Nós ocidentais dividimos o tempo histórico entre antes de Cristo e depois de Cristo, com o marco inicial em seu nascimento. Então só isso mostra o quanto a presença de Jesus impactou na humanidade", recorda. A data exata do nascimento de Jesus é desconhecida, porém o 25 de dezembro foi adotado como o dia para a celebração, ainda nos primeiros tempos do Cristianismo.
CRISE
Na visão do padre Milton Carraschi, em épocas de crise como a de agora, o sentido do Natal deve ser ainda mais forte. "Nós vivemos um período de grave crise política, que se reflete em uma crise econômica e também em uma crise moral. Quando a gente fala em Natal, há aqueles que celebram e aqueles que comemoram", explica. "Comemorar todo mundo comemora, aproveita para comer, dar presentes. Mas celebrar é mais do que isso, é resgatar esse verdadeiro significado cristão da data e isso independe de dinheiro. Você não precisa fazer uma grande festa para celebrar. Então se naquele ano a situação está mais difícil, não interfere na celebração cristã", menciona.
Sangue de São Januário
Nos últimos dias, um fato ocorrido na Itália chamou a atenção dos católicos: o sangue de São Januário não se liquefez no último dia 16 de dezembro. Pela tradição, o sangue seco do santo se liquefaz em três datas anuais, uma delas o 16 de dezembro, e segundo a crença, toda vez que isso ocorre prenuncia tragédias no ano seguinte. A última vez, por exemplo, foi em 1939, com o início da Segunda Guerra Mundial. Para o padre Milton Carraschi, contudo, essa interpretação deve ser relativizada. "Esta é uma tradição, não é científico. Parte de uma crença em superstição sobre prenúncios de anos vindouros. Este mau presságio pode ser para a Itália, para o mundo? Mas a gente não pode se envolver nisso porque Deus é maior. Ele é quem vai nos conduzir. E os anos seguintes serão bons ou maus pelas opções e decisões que os seres humanos tomam também", afirma. Na opinião dele, a sociedade muitas vezes apega-se a superstições. "O caso do sangue de São Januário, nós respeitamos, mas não absolutizamos. Deus nos manda sinais sim, mas para serem interpretados. Mas o ser humano gosta de amuletos. Quando não tem fé, tem superstições, e quem não tem Deus tem ídolos", conclui.